Um adolescente de 14 anos apresenta-se com quadro de dor na região do quadril esquerdo com 3 meses de duração. A temperatura axilar é de 38ºC e a leucometria total é de 14,5 x 109 cél/L com 84% de PMN. A hemossedimentação é de 84mm durante a 1ª hora. Um RX de quadril revela reação periosteal com aspecto concêntrico de múltiplas camadas ao longo da borda externa do íleo acima do acetábulo com área lítica no ilíaco. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é
- A)osteomielite aguda.
Errada, porque osteomielite pode parecer um quadro infeccioso, mas a radiografia com reação periosteal em camadas e lesão lítica pélvica é mais sugestiva de tumor ósseo maligno.
- B)pseudotumor hemofílico.
Errada, pois pseudotumor hemofílico ocorre em pacientes com coagulopatia/hemofilia e não explica bem o padrão radiológico agressivo descrito.
- C)sarcoma osteogênico.
Errada, porque o sarcoma osteogênico também é tumor ósseo maligno, mas o padrão clássico seria outro, com produção de matriz osteoide e predileção pela metáfise de ossos longos.
- D)sequestro ósseo.
Errada, já que sequestro ósseo é achado de osteomielite crônica, não um diagnóstico principal isolado para esse conjunto clínico e radiológico.
- E)sarcoma de Ewing.
Certa, pois o sarcoma de Ewing é típico em adolescentes, causa dor, febre, VHS elevada e pode mostrar reação periosteal em “casca de cebola” com lesão lítica em pelve ou ossos longos.
Gabarito: E
O quadro descreve um tumor ósseo agressivo em adolescente: dor persistente, febre, leucocitose, VHS muito elevada e, no RX, reação periosteal em camadas, o famoso aspecto em “casca de cebola”. Isso aponta fortemente para o sarcoma de Ewing, que costuma acometer crianças e adolescentes, principalmente em ossos longos e pelve. Ele pode dar aparência de infecção, o que confunde bastante quem olha só para a febre e para os exames inflamatórios. A imagem é a pista mais valiosa: reação periosteal concêntrica e múltiplas camadas sugere crescimento rápido da lesão, com o periósteo tentando reagir ao tumor. A presença de área lítica no ílio também combina com neoplasia óssea agressiva. Em prova, quando aparece adolescente + dor óssea + sintomas sistêmicos + radiografia destrutiva, pense em sarcoma de Ewing antes de sair chutando osteomielite. O sarcoma de Ewing é um tumor da família dos tumores neuroectodérmicos primitivos, associado classica e doutrinariamente à translocação t(11;22). Não precisa decorar isso para acertar a questão, mas ajuda a fixar que se trata de uma neoplasia maligna agressiva, e não de processo infeccioso ou sangramento articular. Por isso o gabarito é E: o conjunto clínico-radiológico é típico de sarcoma de Ewing, especialmente pela idade do paciente, localização pélvica e reação periosteal em múltiplas camadas.