Com a maior utilização da mamografia no rastreio do câncer de mama, houve elevação do número de casos de lesões impalpáveis que necessitam de biopsia. Há situações em que está indicada biopsia de fragmentos e outras serão melhor abordadas com biopsias cirúrgicas. Para essas e para aquelas que se revelam malignas nas biopsias de fragmentos vai haver necessidade de marcação pré-cirúrgica. Sobre essa marcação, é correto afirmar que
- A)a marcação pré-cirúrgica tem entre seus objetivos permitir mínima manipulação cirúrgica da mama.
Correta: a marcação ajuda a localizar a lesão com precisão e a fazer uma cirurgia mais conservadora, com mínima manipulação da mama.
- B)caso a lesão seja visível na mamografia e na ultrassonografia, é preferível usar a mamografia para a guia do procedimento.
Errada: se a lesão é bem vista na ultrassonografia, muitas vezes a US é preferida por ser mais prática, sem radiação e em tempo real.
- C)o fio de Kopans não é um bom método como marcador de lesões impalpáveis da mama.
Errada: o fio de Kopans é um método clássico e útil para marcação de lesões impalpáveis da mama.
- D)ao utilizar o ROLL para exérese de microcalcificações, não há necessidade de controle radiográfico da peça.
Errada: no ROLL, especialmente em microcalcificações, ainda pode ser necessário controle radiográfico da peça para confirmar que o alvo foi retirado.
- E)com o uso de fármaco radioativo o patologista sempre tem indicação precisa de onde está a lesão.
Errada: o radiofármaco ajuda na localização cirúrgica, mas não garante que o patologista saiba sempre com precisão exata onde está a lesão dentro da peça.
Gabarito: A
A marcação pré-cirúrgica é usada nas lesões mamárias impalpáveis para que o cirurgião localize com precisão o alvo e retire apenas o necessário, sem ficar “catando agulha no palheiro”. Isso é importante principalmente em lesões vistas na mamografia, na ultrassonografia ou detectadas em biópsias percutâneas que vieram malignas e exigem cirurgia. Em outras palavras, a marcação ajuda a planejar a abordagem, reduzir o trauma cirúrgico e melhorar a chance de retirar a lesão inteira com margens adequadas. Entre os métodos mais usados estão fio-guia, marcação por radiofármaco (como o ROLL) e outras técnicas guiadas por imagem. A escolha depende de onde a lesão aparece melhor e da experiência do serviço. Se a lesão é vista em mais de um método, você costuma guiar o procedimento pelo método que dá melhor visibilidade e maior precisão, e não necessariamente pela mamografia “por tradição”. O ponto central da questão é que a marcação pré-cirúrgica tem como objetivo permitir mínima manipulação cirúrgica da mama, com menor ressecção desnecessária e melhor orientação do cirurgião. Isso está alinhado com a prática mastológica atual, especialmente nas lesões não palpáveis detectadas no rastreio mamográfico. Não há aqui um fundamento legal específico, e sim orientação técnico-doutrinária de cirurgia da mama e radiologia intervencionista. Na prática, o raciocínio é: localizar bem, cortar menos e acertar mais.