Em relação às infecções maternas e amamentação, assinale a afirmativa correta.
- A)Mães com tuberculose ativa devem ser orientadas a interromper a amamentação até completarem 2 semanas de tratamento, pois, nesse período, o Mycobacterium pode ser transmitido pelo leite materno.
Errada: tuberculose ativa não exige suspensão da amamentação por 2 semanas, e o principal risco de transmissão é respiratório, não pelo leite materno.
- B)Na doença de Chagas, o parasita pode ser excretado no leite humano e a infecção aguda no lactente causa sequelas cardíaca tardias. Assim, a amamentação deverá ser contraindicada, mesmo na fase crônica a da doença.
Errada: na doença de Chagas a transmissão pelo aleitamento não é a regra e a amamentação não fica automaticamente contraindicada na fase crônica.
- C)O vírus da hepatite C pode ser transmitido por fissuras mamárias e pelo colostro. Portanto, evitar a amamentação diminui significativamente o risco de transmissão vertical da doença.
Errada: hepatite C não contraindica amamentação de rotina, e fissuras mamárias isoladamente não justificam a suspensão do aleitamento como regra geral.
- D)A infecção por HTLV contraindica o aleitamento materno, porém uma vez que amamentação esteja estabelecida, não deve ser interrompida, que já o risco de transmissão não tem relação com a duração da amamentação.
Errada: HTLV contraindica o aleitamento, mas a duração da amamentação influencia o risco de transmissão, então interromper após o estabelecimento faz diferença.
- E)O citomegalovírus pode ser transmitido pelo leite materno. Entretanto, a infeção materna não contraindica a amamentação de recém-nascidos a termo, devido ao caráter benigno da infecção adquirida nesses lactentes.
Certa: o CMV pode ser transmitido pelo leite materno, mas em recém-nascidos a termo a infecção adquirida costuma ser benigna, não havendo contraindicação ao aleitamento.
Gabarito: E
Nas infecções maternas, a ideia central é simples: nem toda infecção da mãe impede a amamentação. O leite materno pode até veicular alguns agentes, mas o risco real para o bebê depende do germe, do estado clínico da mãe e principalmente da idade gestacional do recém-nascido. Por isso, em Pediatria e Neonatologia, você não pode decorar uma regra única para tudo. No caso do citomegalovírus (CMV), a transmissão pelo leite materno é possível, sim. Mas isso não significa que toda mãe com CMV precise suspender o aleitamento. Em recém-nascidos a termo, a infecção adquirida costuma ser leve ou até assintomática, com evolução benigna, e por isso a amamentação é mantida. A preocupação maior fica para prematuros e bebês de muito baixo peso, que podem ter doença mais relevante. É exatamente essa a lógica da alternativa E: ela reconhece a transmissão pelo leite, mas acerta ao dizer que a infecção materna não contraindica a amamentação de recém-nascidos a termo. Em provas, a FGV gosta desse detalhe fino: transmissão possível não é igual a contraindicação automática. Como referência doutrinária, o raciocínio é o adotado em manuais de neonatologia e infectologia pediátrica, que distinguem o risco do CMV em termo versus prematuro. Já nas outras infecções cobradas na questão, a banca mistura fatos reais com conclusões erradas, justamente para testar se você sabe separar risco teórico de contraindicação prática.