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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 32 anos deu entrada na emergência com quadro de dor torácica de início súbito, de forte intensidade, localizada na região precordial com irradiação para o dorso e para a região abdominal. O paciente apresenta biotipo longilíneo, acromegalia e significativa desproporção entre os membros e o tórax. No raio-X de tórax apresenta alargamento do mediastino. No ecocardiograma apresenta válvula aórtica bicúspide e sopro diastólico de insuficiência aórtica. A esse respeito, assinale a opção que indica, respectivamente, o provável diagnóstico sindrômico desse paciente, o diagnóstico clínico, os sinais do exame físico a serem valorizados para definir tal diagnóstico, a principal abordagem, visando à estabilização hemodinâmica do paciente e a melhor abordagem a ser realizada (clinica ou cirúrgica).

Gabarito: A

A questão descreve um quadro clássico de dissecção aguda de aorta em paciente com síndrome de Marfan. Dor torácica súbita, intensa, com irradiação para dorso e abdome, mediastino alargado no raio-X e insuficiência aórtica no ecocardiograma formam aquele combo que a prova adora cobrar. Em Marfan, a fragilidade do tecido conjuntivo predispõe à dilatação da raiz da aorta e à dissecção, especialmente quando há válvula aórtica bicúspide e sinais de sopro diastólico por regurgitação aórtica. No exame físico, vale procurar assimetria ou déficit de pulsos e diferença de pressão arterial entre membros, em geral uma diferença de PAS maior ou igual a 20 mmHg. Isso ajuda a sugerir comprometimento de ramos arteriais na dissecção. É o tipo de detalhe que costuma separar quem reconhece a urgência de quem fica olhando o ECG achando que é infarto comum. A estabilização hemodinâmica é feita com controle do duplo produto, ou seja, reduzir frequência cardíaca e pressão arterial para diminuir a força de cisalhamento na aorta. Na prática, isso costuma ser feito com betabloqueador intravenoso, como esmolol, associado a vasodilatador se necessário, sempre depois ou junto do controle da FC. O objetivo é evitar que a dissecção progrida. Quanto à abordagem definitiva, o padrão depende da localização. Na dissecção da aorta ascendente, a conduta é cirúrgica, porque há risco de ruptura, tamponamento e comprometimento valvar/coronário. Nas diretrizes cardiológicas, a dissecção tipo A é indicação de cirurgia de urgência, enquanto a tipo B, sem complicações, tende a ser manejada clinicamente. Por isso o gabarito A encaixa perfeitamente no cenário descrito.

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