Paciente realizou artroplastia total do quadril há 10 anos com haste primária, cimentada. Após queda da própria altura e incapacidade para deambular, foi submetida a exames por imagens e o diagnóstico foi de fratura Peri protética do tipo B1 de Vancouver. Assinale a opção que indica o tratamento mais adequado para essa paciente.
- A)Retirada da haste e colocação de uma prótese cimentada de revisão longa.
Errada, porque a haste cimentada de revisão longa é conduta típica de fratura com haste frouxa, não de B1 com implante estável.
- B)Retirada da haste com osteotomia estendida, retirar todo o cimento e implantar uma haste de revisão cimentada.
Errada, pois osteotomia estendida e retirada de todo o cimento são medidas de revisão complexa, reservadas para casos em que a haste precisa ser substituída.
- C)Retirada da haste com osteotomia estendida, retirar todo o cimento e implantar uma haste de revisão não cimentada de fixação dialisaria.
Errada, porque a revisão não cimentada com fixação diafisária é indicada quando há necessidade de trocar a haste, o que não ocorre no B1.
- D)Retirada da haste com osteotomia estendida, retirar todo o cimento e implantar uma haste de revisão não cimentada de fixação dialisaria com possibilidade de bloqueio distal.
Errada, já que o bloqueio distal faz parte de estratégias de revisão femoral, e aqui o implante está estável, então a prioridade é fixar a fratura.
- E)Osteossíntese com placa, parafusos e/ou cabos de aço com ou sem enxerto ósseo.
Certa, porque na fratura periprotética Vancouver B1 a haste está estável e o tratamento preferencial é osteossíntese com placa, parafusos e/ou cabos, com ou sem enxerto ósseo.
Gabarito: E
A classificação de Vancouver para fraturas periprotéticas do fêmur depois de artroplastia total do quadril é o clássico "mapa do tesouro": ela ajuda a decidir se o problema é da prótese, do osso ou dos dois juntos. No tipo B1, a fratura acontece ao redor da haste, mas a haste está estável, ou seja, não está solta. Se a haste está bem fixada, não faz sentido trocar a prótese como primeira medida, porque o defeito principal não é a fixação do implante. Nessa situação, o tratamento indicado costuma ser a osteossíntese, geralmente com placa bloqueada, parafusos e, quando necessário, cabos de aço e enxerto ósseo. A ideia é reconstruir a continuidade do fêmur e manter a haste estável no lugar, permitindo consolidação da fratura. Em termos práticos: a prótese fica, o osso recebe a fixação. É exatamente por isso que o gabarito é a alternativa E. A fratura é B1, então a haste não precisa ser revisada, e sim a fratura estabilizada. Se fosse um B2 ou B3, aí sim a conversa mudaria, porque nessas situações a haste costuma estar frouxa e a revisão do implante passa a ser o tratamento central. Em prova, a banca adora misturar o tipo da fratura com a "intuição cirúrgica" de trocar a prótese, mas em Vancouver isso tem lógica própria. Primeiro você pergunta: a haste está bem fixada? Se sim, a cirurgia tende a ser de osteossíntese. Se não, aí entra revisão da haste. É a prótese que manda no roteiro, não o nervosismo da questão.