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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente realizou artroplastia total do quadril há 10 anos com haste primária, cimentada. Após queda da própria altura e incapacidade para deambular, foi submetida a exames por imagens e o diagnóstico foi de fratura Peri protética do tipo B1 de Vancouver. Assinale a opção que indica o tratamento mais adequado para essa paciente.

Gabarito: E

A classificação de Vancouver para fraturas periprotéticas do fêmur depois de artroplastia total do quadril é o clássico "mapa do tesouro": ela ajuda a decidir se o problema é da prótese, do osso ou dos dois juntos. No tipo B1, a fratura acontece ao redor da haste, mas a haste está estável, ou seja, não está solta. Se a haste está bem fixada, não faz sentido trocar a prótese como primeira medida, porque o defeito principal não é a fixação do implante. Nessa situação, o tratamento indicado costuma ser a osteossíntese, geralmente com placa bloqueada, parafusos e, quando necessário, cabos de aço e enxerto ósseo. A ideia é reconstruir a continuidade do fêmur e manter a haste estável no lugar, permitindo consolidação da fratura. Em termos práticos: a prótese fica, o osso recebe a fixação. É exatamente por isso que o gabarito é a alternativa E. A fratura é B1, então a haste não precisa ser revisada, e sim a fratura estabilizada. Se fosse um B2 ou B3, aí sim a conversa mudaria, porque nessas situações a haste costuma estar frouxa e a revisão do implante passa a ser o tratamento central. Em prova, a banca adora misturar o tipo da fratura com a "intuição cirúrgica" de trocar a prótese, mas em Vancouver isso tem lógica própria. Primeiro você pergunta: a haste está bem fixada? Se sim, a cirurgia tende a ser de osteossíntese. Se não, aí entra revisão da haste. É a prótese que manda no roteiro, não o nervosismo da questão.

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