Adolescente de 14 anos realizou eletrocardiograma para aptidão física com intervalo QTc 500ms. Relata síncope prévia durante jogo de futebol não investigada anteriormente. Nega história familiar de morte súbita. A conduta correta é
- A)acompanhamento clínico e ecocardiográfico anual, sem necessidade de início medicamentoso.
Errada, porque QTc de 500 ms com síncope não é quadro de seguimento simples; há risco relevante de arritmia maligna e precisa de tratamento e restrição de esforço.
- B)início de amiodarona e suspensão de atividades físicas competitivas.
Errada, porque amiodarona não é a terapia de escolha na síndrome do QT longo e pode ser inadequada nesse contexto.
- C)inicio de propranolol e suspensão de atividades físicas competitivas.
Certa, pois beta-bloqueador como propranolol é tratamento de base na síndrome do QT longo, associado à suspensão de esportes competitivos.
- D)início de metoprolol e suspensão das atividades físicas competitivas.
Errada, porque metoprolol não é a opção clássica preferida na síndrome do QT longo em provas, e a banca costuma cobrar propranolol ou nadolol.
- E)implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI).
Errada como conduta inicial isolada, pois CDI fica para casos selecionados de alto risco ou refratariedade, não como primeira medida em todo paciente.
Gabarito: C
O caso descreve uma suspeita bem clássica de síndrome do QT longo congênito: QTc de 500 ms em adolescente e síncope durante esforço. Nessa situação, o problema não é “acompanhar e ver depois”, porque o risco de arritmia ventricular maligna já é alto, especialmente quando há síncope prévia. O ECG sozinho já chama atenção, mas a história clínica fecha o diagnóstico funcional de risco. A conduta inicial costuma ser beta-bloqueador, porque ele reduz a chance de eventos arrítmicos ao diminuir a resposta adrenérgica. Em pacientes com síndrome do QT longo, os mais tradicionais e preferidos são propranolol ou nadolol, conforme o cenário e a disponibilidade. Como a questão oferece propranolol, essa é a melhor resposta. Além do remédio, é obrigatório suspender atividades físicas competitivas enquanto o caso é avaliado e controlado, porque exercício pode ser gatilho de síncope e morte súbita em canalopatias como essa. Se houvesse recorrência apesar do beta-bloqueador, ou critérios de muito alto risco, aí sim se pensaria em CDI em casos selecionados. Amiodarona não é tratamento de rotina aqui e pode até piorar a repolarização em alguns contextos. Resumo de prova: QTc prolongado + síncope = pense em síndrome do QT longo e trate com beta-bloqueador, com restrição de esporte competitivo. Esse é o tipo de situação em que a banca espera que você reconheça risco de morte súbita e não caia na tentação do “só acompanhar”.