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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 68 anos é atendida no consultório de geriatria com queixa de dificuldade de pegar no sono, a maior parte dos dias, há mais de 6 meses. Relata que só consegue dormir em torno de duas horas da manhã e acorda às seis horas. Queixa-se de cansaço diurno e redução da atenção, o que vem prejudicando seu trabalho. Sobre os transtornos do sono nessa paciente, avalie as afirmativas a seguir: I. Terapias não farmacológicas, como a higiene do sono, e terapia cognitiva comportamental (TCC) podem contribuir para a melhora do quadro. II. Além da orientação da higiene do sono, devem ser investigadas possíveis causas para a piora do sono, como condições médicas associadas (insuficiência cardíaca, doença pulmonar, doença do refluxo gastroesofágico etc.) e medicamentos e substâncias que podem contribuir para o quadro. III. A alteração do sono nessa paciente é fisiológica, uma vez que o tempo normal de sono em idosos é de 4 a 6 horas por dia. Está correto o que se afirma em

Gabarito: D

Em geriatria, queixa de insônia não deve ser tratada como se fosse apenas “coisa da idade”. Primeiro, é preciso definir se estamos diante de dificuldade para iniciar o sono, para mantê-lo ou de despertar precoce, e sempre buscar a causa do quadro. Nesta paciente, há insônia há mais de 6 meses, com dificuldade para pegar no sono, sono curto e prejuízo diurno, o que caracteriza transtorno do sono com repercussão clínica, e não simples variação normal. A afirmativa I está correta porque as medidas não farmacológicas são a base do tratamento, especialmente higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). Em idosos, isso costuma funcionar melhor e com menos risco do que sair prescrevendo remédio como se fosse bala de goma. A TCC é a abordagem com melhor evidência para insônia crônica. A afirmativa II também está correta porque, antes de atribuir tudo ao envelhecimento, você deve investigar causas associadas: insuficiência cardíaca, doenças pulmonares, refluxo gastroesofágico, dor, depressão, ansiedade, apneia do sono, além de substâncias e medicamentos que pioram o sono, como cafeína, álcool, corticoides, diuréticos em horários inadequados e alguns antidepressivos. Em idoso, insônia muitas vezes é sintoma de outra coisa. Já a afirmativa III está errada. O sono do idoso pode mudar de padrão, mas não é verdade que “o normal” seja dormir apenas 4 a 6 horas por noite. O ponto central é que o sono precisa ser avaliado pela qualidade, duração adequada para a pessoa e impacto funcional; aqui há prejuízo diurno claro, então não é algo fisiológico a ser normalizado. Por isso, o gabarito é D: I e II estão corretas.

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