Mulher de 68 anos refere pequena alteração visual, alcançando 20/20 e 20/25 com correção óptica e relata leve metamorfopsia, sem fotopsia ou moscas volantes. Na tela de Amsler, percebeu pequenas distorções ao focar com o olho esquerdo. Após um ano, a acuidade visual corrigida do olho direito era de 20/20 e a do olho esquerdo 20/80. No exame biomicroscópico do segmento posterior, nota-se o anel de Weiss e a presença do sinal de Watzke-Allen. A tomografia de coerência óptica revelou um descolamento anelar da retina neurossensorial. Esses sinais e sintomas sugerem
- A)coroidopatia central serosa no olho esquerdo, com indicação para fotocoagulação com laser de diodo verde, técnica em grid macular suave e injeções intravítreas de fatores antiangiogênicos.
Errada: coroidopatia central serosa não dá esse conjunto de achados e não é tratada com essa combinação de laser, grid e antiangiogênicos como proposta aqui.
- B)buraco macular no olho esquerdo, com indicação para remoção do vítreo cortical posterior, peeling da membrana limitante interna e emprego de gás, com prognóstico reservado.
Certa: o quadro clínico e os achados de exame são típicos de buraco macular, cujo tratamento é cirúrgico com vitrectomia e gás.
- C)degeneração macular relacionada à idade, forma seca, com indicação para aplicação de injeções intravítreas de fatores antiangiogênicos e uso de antioxidantes orais.
Errada: degeneração macular seca causa perda visual central, mas não explica o sinal de Watzke-Allen nem o anel de Weiss, e antiangiogênico não é tratamento da forma seca.
- D)degeneração macular relacionada à idade, forma úmida, com indicação para aplicação de injeções intravítreas de fatores angiogênicos e uso de antioxidantes orais.
Errada: degeneração macular úmida cursa com neovascularização e costuma exigir antiangiogênico, mas a descrição clínica e os achados apontam para buraco macular, não para DMRI úmida.
- E)degeneração macular relacionada à idade, com membrana epirretiniana secundária, contração e enrugamento da hialoide anterior, já com indicação para fotocoagulação a laser de diodo verde e injeções de antiangiogênicos, como o aflibercepte.
Errada: membrana epirretiniana pode causar metamorfopsia, porém o conjunto de sinais da questão é mais compatível com buraco macular, e o tratamento citado não é o padrão desse quadro.
Gabarito: B
Aqui o quadro aponta para buraco macular, que costuma dar metamorfopsia, piora progressiva da visão central e alterações na tela de Amsler. Na oftalmoscopia e na tomografia de coerência óptica, o achado típico é uma descontinuidade foveal com descolamento ou separação das camadas da retina neurossensorial, o que explica a queda da acuidade visual ao longo do tempo. O sinal de Watzke-Allen ajuda bastante: ao projetar uma fenda de luz sobre a fóvea, o paciente percebe uma interrupção ou afinamento da linha luminosa, sugerindo defeito foveal. O anel de Weiss, por sua vez, fala a favor de descolamento posterior do vítreo, um evento frequentemente associado ao surgimento do buraco macular. Ou seja, os achados combinam direitinho com essa hipótese. O tratamento habitual é cirúrgico, com vitrectomia via pars plana, remoção do vítreo cortical posterior, peeling da membrana limitante interna e tamponamento com gás. O prognóstico depende do tempo de evolução e do estágio do buraco, por isso a visão pode melhorar, mas nem sempre volta ao normal. Em prova, sempre desconfie quando a banca mistura metamorfopsia, Amsler alterado, Watzke-Allen e OCT compatível: ela está praticamente piscando a resposta para você.