Uma mulher de 32 anos procurou atendimento ginecológico devido a corrimento vaginal sem associação com sinais inflamatórios e com “odor de peixe” mais evidente quando menstruada. Diante deste quadro, ao ser examinada pelo médico, a paciente apresentará
- A)pH vaginal abaixo de 4.
Errada, porque na vaginose bacteriana o pH vaginal fica aumentado, geralmente acima de 4,5.
- B)teste das aminas (whiff test) negativo.
Errada, porque o teste das aminas costuma ser positivo, com odor de peixe mais evidente após a adição de KOH.
- C)dor pélvica ao toque vaginal bimanual.
Errada, porque dor pélvica ao toque sugere outro quadro, não a vaginose bacteriana, que costuma ter pouca ou nenhuma inflamação.
- D)acentuada hiperemia da mucosa vaginal.
Errada, porque a mucosa vaginal geralmente não apresenta hiperemia acentuada; isso é mais compatível com processo inflamatório.
- E)clue cells no conteúdo vaginal.
Certa, porque clue cells são achado clássico da vaginose bacteriana e correspondem a células epiteliais cobertas por bactérias.
Gabarito: E
O quadro descrito é bem típico de vaginose bacteriana. Aqui, o corrimento costuma ser fino, homogêneo, com pouco ou nenhum sinal inflamatório, e o odor de peixe fica mais evidente após a menstruação ou após contato com KOH. Ou seja: não é uma vaginite “barulhenta”, com muita vermelhidão e dor, mas sim uma alteração da flora vaginal, com redução dos lactobacilos e crescimento de anaeróbios, como Gardnerella vaginalis e outros germes associados. Na prática, o achado clássico no exame microscópico é a presença de clue cells, que são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias, deixando suas bordas borradas. Esse é o dado mais característico da vaginose bacteriana e explica por que o gabarito é a letra E. Além disso, o pH vaginal costuma ficar acima de 4,5, o teste das aminas tende a ser positivo e, em geral, não há dor pélvica nem hiperemia importante da mucosa. A banca gosta de misturar vaginose bacteriana com vaginite inflamatória, então vale guardar a lógica: vaginose dá odor e corrimento, mas pouca inflamação. Vaginite inflamatória é que costuma trazer ardor, hiperemia e desconforto bem mais marcantes.