Mãe vem ao atendimento com seu filho de 9 meses, com história de prematuridade, necessidade de suporte de oxigênio neonatal, presença de PCA. Mãe relata que paciente vem de repetidos episódios de sibilância e constante quadro de coriza. O diagnóstico mais provável desse paciente seria
- A)Fibrose Cística.
Fibrose cística pode cursar com infecções respiratórias e sibilância, mas faltam os sinais clássicos gastrointestinais e de má absorção.
- B)Displasia Broncopulmonar.
Correta: o antecedente de prematuridade, oxigenoterapia neonatal e PCA, com sibilância recorrente, é muito sugestivo de displasia broncopulmonar.
- C)Infecção de vias aéreas superiores.
Infecção de vias aéreas superiores explica coriza, mas não justifica o padrão crônico e recorrente do caso nem o contexto neonatal.
- D)Bronquiolite viral aguda.
Bronquiolite viral aguda é um quadro agudo, e não a melhor explicação para um lactente com história neonatal complicada e sintomas repetidos.
- E)Pneumonia atípica.
Pneumonia atípica é menos provável em um bebê de 9 meses com esse histórico perinatal e não costuma ser a hipótese principal nesse padrão.
Gabarito: B
O quadro descreve um lactente prematuro, que precisou de oxigênio no período neonatal e tem antecedente de PCA, além de apresentar sibilância repetida e coriza persistente. Esse conjunto acende a luz para um problema crônico de pulmão imaturo, e não para uma infecção aguda isolada. Em pediatria, esse cenário é bem típico de displasia broncopulmonar, uma doença que surge principalmente em prematuros expostos a suporte ventilatório e oxigenoterapia, com inflamação e alteração do desenvolvimento pulmonar. A displasia broncopulmonar costuma aparecer como dependência de oxigênio por tempo prolongado, desconforto respiratório recorrente, sibilância e maior vulnerabilidade a quadros respiratórios. O fato de haver prematuridade e PCA reforça ainda mais essa hipótese, porque esses bebês frequentemente tiveram curso neonatal complicado, com repercussão sobre o pulmão em formação. Não é raro a criança parecer “sempre gripada”, com chiado que vai e volta, mas o problema de base é estrutural e evolutivo. Já as alternativas infecciosas ou funcionais agudas não fecham tão bem. Bronquiolite viral aguda costuma ser um episódio agudo, em geral em lactentes menores, com início súbito, febre e bronquiolite como quadro do momento. Infecção de vias aéreas superiores explica coriza, mas não justifica repetição de sibilância e antecedente neonatal tão marcante. Fibrose cística poderia dar infecções e sibilância, mas o contexto clássico inclui insuficiência pancreática, diarreia, baixo ganho ponderal e outras pistas que aqui não aparecem. Então, o pulo do gato é lembrar: prematuro + oxigênio neonatal + PCA + sibilância recorrente = pense em displasia broncopulmonar. A banca gosta justamente de cobrar essa associação clínica em vez de soltar um diagnóstico “da moda” respiratória.