Dos quadros a seguir, assinale o que mais provavelmente irá se beneficiar da realização de ventilação não invasiva (VNI).
- A)Paciente internado por doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada, evoluindo com acidose hipercápnica.
Correta: a exacerbação da DPOC com acidose hipercápnica é a indicação clássica em que a VNI mais costuma beneficiar.
- B)Paciente internado por insuficiência cardíaca perfil L.
Errada: a VNI pode ser usada em edema agudo de pulmão cardiogênico, mas 'insuficiência cardíaca perfil L' não é a situação mais típica descrita aqui.
- C)Paciente internado por exacerbação asmática, evoluindo com insuficiência respiratória e rebaixamento do nível de consciência.
Errada: exacerbação asmática com rebaixamento do nível de consciência sugere falha ventilatória e contraindica VNI pela maior chance de não proteção de via aérea.
- D)Paciente com acidente vascular encefálico recente e internado por pneumonia aspirativa.
Errada: AVC recente com pneumonia aspirativa costuma cursar com risco de aspiração e incapacidade de proteção de via aérea, o que desfavorece VNI.
- E)Paciente com COVID19 leve, sem necessidade de oxigenoterapia.
Errada: COVID leve, sem necessidade de oxigenoterapia, não tem indicação de VNI.
Gabarito: A
A ventilação não invasiva (VNI) é uma grande aliada quando o paciente está em insuficiência respiratória aguda, mas ainda consegue proteger a via aérea e colaborar minimamente. Ela ajuda a reduzir o trabalho respiratório, melhora a troca gasosa e pode evitar intubação em situações bem selecionadas. No concurso, a palavra que costuma acender a luz verde é a acidose hipercápnica, especialmente no paciente com DPOC exacerbada. Isso acontece porque, na exacerbação da DPOC com retenção de CO2 e queda do pH, a VNI costuma trazer benefício claro e bem estabelecido: diminui a necessidade de intubação, reduz complicações e melhora desfechos. É o cenário clássico em que você pensa: "a máscara aqui pode salvar o pulmão e o tubo fica para quem realmente precisar". Já a VNI não é uma boa escolha quando há rebaixamento importante do nível de consciência, incapacidade de proteger a via aérea, vômitos ou grande instabilidade clínica. Nesses casos, o risco de aspiração e falha ventilatória sobe, e o paciente pode precisar de via aérea definitiva. Também não há indicação rotineira em COVID leve sem necessidade de oxigênio. Portanto, o gabarito é a alternativa A porque descreve exatamente a situação com maior benefício comprovado para VNI: exacerbação de DPOC com acidose hipercápnica. Esse é um dos usos mais clássicos e cobrados em pneumologia e terapia intensiva.