Paciente masculino, 42 anos, procura atendimento no Pronto Socorro, com relato de início do quadro há 5 dias, febre alta, cefaleia, dor retro-orbitária e mialgia. Apresentou 2 episódios de vômitos e diarreia. Evoluiu com exantema há 1 dia. Ao exame, apresenta prova do laco negativa, FC 80 BPM, PA 110 x 70mmHg, Tax 36,5ºC, exame cardiovascular sem alterações significativas, abdômen discretamente doloroso, com hepatomegalia de 3cm abaixo do rebordo costal. Assinale a opção que apresenta o sinal de alarme relatado nesse caso.
- A)Febre alta.
Errada, porque febre alta é manifestação comum da fase aguda da dengue, mas não é sinal de alarme.
- B)Cefaleia.
Errada, porque cefaleia é sintoma frequente da dengue e não indica, sozinha, gravidade.
- C)Vômitos.
Errada, porque vômitos só viram sinal de alarme quando são persistentes ou repetidos, e o caso não descreve isso.
- D)Dor abdominal.
Errada, porque dor abdominal pode ser sinal de alarme na dengue, mas o enunciado traz apenas abdômen discretamente doloroso, sem caracterizar o critério clássico de dor intensa e contínua.
- E)Hepatomegalia.
Certa, porque hepatomegalia acima de 2 cm abaixo do rebordo costal é sinal de alarme na dengue.
Gabarito: E
Esse caso tem cara de dengue, e não de uma virose qualquer: febre alta, cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia, sintomas gastrointestinais e exantema formam o quadro clássico. Na dengue, a grande preocupação na avaliação clínica é identificar sinais de alarme, porque eles podem indicar maior risco de evolução para gravidade e necessidade de observação mais rigorosa, hidratação e possível internação. Entre os sinais de alarme da dengue estão dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, letargia, hipotensão postural, acúmulo de líquidos e hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal. Aqui, o enunciado já entrega exatamente isso: hepatomegalia de 3 cm abaixo do rebordo costal, o que é sinal de alarme. A prova costuma cobrar isso de forma bem prática: sintomas gerais, como febre, cefaleia e mialgia, são típicos da fase febril e não são sinais de alarme por si só. Já a hepatomegalia, quando descrita no contexto de dengue, entra no grupo de alerta para evolução desfavorável. Então, a resposta correta é a alternativa E. Em provas de clínica e infectologia, vale decorar a lista de sinais de alarme da dengue, porque a banca adora trocar um dado clínico comum por um marcador de gravidade. Aqui, o detalhe que muda tudo é o fígado aumentado.