Paciente de 25 anos, destro, deu entrada na emergência do hospital após queda da própria altura com trauma indireto sobre o cotovelo. Ao exame apresentava dor na borda lateral do cotovelo direito e em toda extensão do antebraço, mais acentuada em nível da articulação radio ulnar distal. Ao exame radiológico apresentou fratura da cúpula radial, segundo a classificação de Masson do tipo III. A ressecção simples está contraindicada pelo seguinte motivo:
- A)o paciente é jovem.
Errada: a juventude, isoladamente, não é o motivo principal da contraindicação.
- B)devido ao fato de o paciente ser jovem e também por se tratar do membro dominante.
Errada: ser jovem e ser o membro dominante podem influenciar a conduta, mas não explicam, sozinhos, a contraindicação específica da ressecção simples.
- C)devido à lesão de Essex-Lopresti associada.
Certa: a suspeita de lesão de Essex-Lopresti contraindica a ressecção simples da cúpula radial pela importância da cabeça radial na estabilidade longitudinal do antebraço.
- D)as fraturas do tipo Masson III devem sempre ser tratadas com osteossíntese da cúpula radial.
Errada: fratura Mason III não exige sempre osteossíntese; a conduta depende do padrão da fratura e das lesões associadas.
- E)devido ao fato de se tratar do membro dominante.
Errada: o fato de ser o membro dominante pode pesar na escolha terapêutica, mas não é a razão específica da contraindicação pedida.
Gabarito: C
A fratura da cabeça, ou cúpula, radial pode parecer “só mais uma fratura de cotovelo”, mas o detalhe que muda tudo é procurar lesões associadas. Isso é essencial porque a cabeça radial ajuda a estabilizar o cotovelo e também participa da estabilidade longitudinal do antebraço, especialmente quando a membrana interóssea e a articulação rádio-ulnar distal entram na história. Na classificação de Mason, o tipo III corresponde a fratura cominuta da cúpula radial. Nesses casos, a ressecção simples já foi usada no passado, mas hoje deve ser evitada em situações em que a cabeça radial é importante para manter a estabilidade do antebraço. Em paciente jovem, a preservação da anatomia costuma ser ainda mais valorizada, mas o ponto decisivo aqui não é apenas a idade nem o lado dominante. O motivo da contraindicação é a possibilidade de lesão de Essex-Lopresti, que é a associação de fratura da cabeça radial com ruptura da membrana interóssea e lesão da articulação rádio-ulnar distal. Se você resseca a cabeça radial nessas condições, a proteção contra migração proximal do rádio vai embora, e o paciente pode evoluir com dor no punho, instabilidade e perda funcional importante. Em termos práticos, essa associação muda a estratégia: o tratamento precisa restaurar a estabilidade do cotovelo e do antebraço, e não apenas “tirar o osso quebrado”. Por isso, entre as alternativas, a correta é a que aponta a lesão de Essex-Lopresti associada como contraindicação da ressecção simples.