Paciente de 43 anos, sexo feminino, história de obesidade, realizou cirurgia plástica abdominal há 4 dias. Retorna ao hospital com quadro clínico de dor torácica tipo pleurítica, início súbito após levantar da cama, dispneia e taquicardia. Na emergência, o exame complementar mais indicado inicialmente é
- A)a angiotomografia de tórax.
Correta: a angiotomografia de tórax é o exame inicial de escolha na suspeita alta de embolia pulmonar em paciente estável.
- B)o d-dímero.
Errada: o d-dímero é útil sobretudo em baixa ou média probabilidade clínica, não quando a suspeita já é alta.
- C)o Doppler de membros inferiores.
Errada: o Doppler de membros inferiores pode ajudar como exame complementar, mas não é o exame inicial mais indicado para confirmar o evento pulmonar.
- D)o Rx de tórax PA e perfil.
Errada: o Rx de tórax pode ser normal ou inespecífico na embolia pulmonar e não confirma o diagnóstico.
- E)a cintilografia de ventilação e perfusão.
Errada: a cintilografia V/Q é alternativa quando a angiotomografia é contraindicada ou indisponível, não a primeira escolha usual.
Gabarito: A
O quadro descreve uma embolia pulmonar aguda até prova em contrário: cirurgia recente, obesidade, dor torácica pleurítica, dispneia e taquicardia. Em medicina de urgência, quando a suspeita clínica é alta, você não fica “namorando” exames de triagem que podem atrasar o diagnóstico. O passo inicial mais útil, na paciente estável, é a angiotomografia de tórax, que visualiza trombos nas artérias pulmonares e ainda ajuda a avaliar diagnósticos diferenciais. O d-dímero serve melhor quando a suspeita é baixa ou intermediária, porque um resultado negativo pode ajudar a excluir tromboembolismo em pacientes selecionados. Aqui, a chance clínica já é alta por conta do contexto pós-operatório e dos sintomas típicos, então o d-dímero vira mais enfeite do que solução. O raciocínio é bem prático: em suspeita alta de tromboembolismo pulmonar, exame de imagem é prioridade. A angiotomografia de tórax é o exame de escolha inicial na maioria dos casos de paciente hemodinamicamente estável. Se a paciente estivesse instável e não pudesse ir ao tomógrafo, a estratégia mudaria, mas isso não é o caso do enunciado. Resumo de prova: pós-operatório + dispneia súbita + dor pleurítica + taquicardia = pense em embolia pulmonar e peça angiotomografia. A banca costuma cobrar exatamente essa ideia de não perder tempo com exames menos resolutivos quando a suspeita clínica já está bem “gritando”.