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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Uma gestante de 29 anos realizou ultrassonografia morfológica de 1º trimestre que evidenciou transluscência nucal de 3,8mm. Não foram observadas outras alterações durante o exame. Foi realizada biopsia de vilo corial para cariótipo cujo resultado foi 46, XX. Diante desses achados, o melhor aconselhamento à paciente será

Gabarito: A

Translucência nucal aumentada no 1º trimestre é um achado que acende a luz amarela, mesmo quando o cariótipo vem normal. Em geral, valores acima do percentil 95, como 3,8 mm, se associam a maior risco de malformações estruturais, sobretudo cardiopatias congênitas, além de síndromes genéticas que podem não aparecer no cariótipo convencional da biópsia de vilo corial. Por isso, o aconselhamento não é "está tudo certo e pronto". O próximo passo é seguir com investigação morfológica detalhada no 2º trimestre e pedir ecocardiografia fetal, porque o coração é um dos principais órgãos a serem examinados nesses casos. A ideia é procurar alterações anatômicas que possam ter passado despercebidas no primeiro exame. O resultado 46, XX exclui, em princípio, grandes alterações numéricas de cromossomos, mas não zera o risco de doença fetal. Existem microdeleções, alterações estruturais menores e malformações isoladas que podem coexistir com cariótipo normal. Então, a ultrassonografia do 2º trimestre e a ecocardiografia são a conduta adequada, como aponta o gabarito. Em prova, guarde esta lógica: translucência nucal aumentada não é diagnóstico, é sinal de alerta. O exame do 1º trimestre mostrou o aviso; agora vem a etapa de caçar o que pode estar escondido.

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