A cisplatina é um agente antineoplásico, citotóxico e relacionado com os alquilantes. Indicada como agente isolado ou combinado em diversos tipos de câncer como o de testículo, de ovário, de bexiga, entre outros. As opções a seguir apresentam critérios de inelegibilidade à cisplatina, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Neuropatia periférica ≥ grau 2.
Correta como critério de inelegibilidade, porque neuropatia periférica grau 2 ou mais aumenta o risco de piora neurológica com a cisplatina.
- B)Perda auditiva ≥ grau 2.
Correta como critério de inelegibilidade, pois perda auditiva grau 2 ou mais é importante fator de risco para ototoxicidade adicional.
- C)Icterícia com bilirrubina total maior que 2.
Incorreta, porque bilirrubina elevada e icterícia não são critérios clássicos de inelegibilidade à cisplatina.
- D)Depuração de creatinina ≤ 60mL/min.
Correta como critério de inelegibilidade, já que depuração de creatinina menor ou igual a 60 mL/min indica risco renal aumentado.
- E)Insuficiência cardíaca classe funcional ≥ III.
Correta como critério de inelegibilidade, pois insuficiência cardíaca em classe funcional NYHA III ou IV piora a segurança do tratamento.
Gabarito: C
A cisplatina é um quimioterápico muito usado, mas que cobra seu preço: ela pode agredir rins, nervos, ouvido e, em alguns casos, o estado geral do paciente. Por isso, antes de indicar o remédio, você confere se o doente tem função renal adequada, sem neuropatia importante, sem perda auditiva relevante e sem cardiopatia descompensada. Se algum desses pontos já está ruim, a chance de toxicidade sobe bastante, e a cisplatina pode virar mais vilã do que aliada. Nos critérios clássicos de inelegibilidade, entram neuropatia periférica a partir do grau 2, perda auditiva a partir do grau 2, depuração de creatinina menor ou igual a 60 mL/min e insuficiência cardíaca em classe funcional NYHA III ou IV. Esses parâmetros aparecem em protocolos oncológicos e em práticas consolidadas de segurança para uso da cisplatina, justamente porque o medicamento é conhecido pela nefrotoxicidade, ototoxicidade e neurotoxicidade. A alternativa que foge desse conjunto é a icterícia com bilirrubina total maior que 2. Isso não é critério típico de inelegibilidade à cisplatina. Alteração de bilirrubina costuma pesar mais para drogas com metabolismo hepático relevante, enquanto a cisplatina é mais limitada por rim, ouvido, nervo e condição clínica global. Então, a lógica aqui é simples: se a banca falou em cisplatina, pense primeiro nos rins, na audição, na neuropatia e no coração. O fígado entra menos nessa dança. É aquela prova que tenta te fazer olhar para o órgão errado e sorrir com isso.