Paciente de 23 anos, masculino, com antecedente de depressão e transtorno de personalidade borderline, admitido no pronto-socorro por tentativa de autoextermínio com ingestão de cerca de 20g de paracetamol há cerca de 1 hora. Entre outras medidas em casos de intoxicação aguda, o seguinte antídoto pode ser usado no caso descrito:
- A)Naloxone.
Naloxone é antídoto de intoxicação por opioides, não tem papel no quadro por paracetamol.
- B)Flumazenil.
Flumazenil reverte benzodiazepínicos e não trata hepatotoxicidade por paracetamol.
- C)Bicarbonato de sódio.
Bicarbonato de sódio é usado em algumas intoxicações com cardiotoxicidade e alargamento de QRS, não nesta situação.
- D)Acetilcisteína.
Acetilcisteína é o antídoto específico para intoxicação por paracetamol, pois repõe glutationa e reduz a toxicidade hepática.
- E)Vitamina K.
Vitamina K é usada para reversão de anticoagulação por cumarínicos, não para intoxicação por paracetamol.
Gabarito: D
Em intoxicação aguda por paracetamol, o ponto-chave é lembrar que o risco não é só a dose ingerida, mas a formação de um metabólito tóxico que pode lesar o fígado se a reserva de glutationa acabar. Por isso, em casos de ingestão importante, a conduta inclui antídoto precoce, e aqui o medicamento clássico é a acetilcisteína. A acetilcisteína funciona como precursora de glutationa, ajudando a neutralizar o metabólito tóxico antes que ele cause hepatotoxicidade. Quanto mais cedo ela for iniciada, melhor, idealmente nas primeiras horas após a ingestão, como no caso descrito, que ocorreu há cerca de 1 hora. É uma daquelas perguntas que gostam de testar se você sabe o antídoto de cada intoxicação: naloxona é para opioides, flumazenil para benzodiazepínicos, bicarbonato de sódio para algumas intoxicações com alargamento de QRS por bloqueio de canal de sódio, e vitamina K para reversão de anticoagulação cumarínica. Paracetamol pede acetilcisteína, sem drama e sem improviso. Na prática, a conduta em intoxicação por paracetamol também envolve avaliação da dose, tempo de ingestão, dosagem sérica quando indicada e monitorização hepática. Mas, na lógica da questão, o antídoto correto é a acetilcisteína, que é o tratamento específico e consagrado para esse cenário.