← Questões de Medicina

Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 70 anos, sexo masculino, trófico e bem nutrido à avaliação pré-operatória, evolui com choque vasoplégico e difícil desmame ventilatório às custas de síndrome do desconforto respiratório em pós-operatório de cirurgia cardíaca de revascularização do miocárdio. O paciente algo melhor do ponto de vista respiratório e hemodinâmico, 48 horas após o procedimento, mantém baixa tolerância à dieta enteral, apresentando vômitos e distensão gástrica ao receber mais de 30% da meta nutricional de volume da dieta. Estão listadas a seguir opções nutricionais para um doente crítico cirúrgico. Assinale a opção que indica a melhor estratégia para esse caso.

Gabarito: D

Em paciente crítico cirúrgico, a nutrição enteral costuma ser a primeira escolha, porque preserva a mucosa intestinal e reduz complicações infecciosas. Mas isso não significa "forçar a barra" quando o trato gastrointestinal não está colaborando. Se o paciente está com vômitos e distensão ao avançar a dieta, a melhor conduta é respeitar a tolerância e manter aporte trófico enquanto ele melhora, principalmente quando não havia alto risco nutricional antes da cirurgia. O ponto central aqui é que a meta nutricional não deve ser atingida a qualquer custo nas primeiras horas ou dias. Em pacientes sem desnutrição prévia importante, a estratégia de suporte inicial pode ser conservadora, com dieta enteral em baixo volume e progressão lenta. O objetivo é evitar piora da intolerância digestiva, broncoaspiração e suspensão desnecessária da via enteral. A alternativa D está correta porque o doente era bem nutrido na avaliação pré-operatória e, apesar da evolução grave no pós-operatório, já está melhorando do ponto de vista hemodinâmico e respiratório. Nesse cenário, manter dieta enteral trófica por mais alguns dias é uma conduta aceitável e frequentemente preferida, sem pressa de alcançar 100% da meta se isso só vai gerar vômitos e estase. Como regra prática em UTI, a nutrição parenteral entra como complemento ou substituição quando a via enteral é impossível ou insuficiente por tempo relevante, especialmente se houver desnutrição ou alto risco nutricional. As diretrizes de terapia nutricional em paciente crítico, como as da ESPEN e da ASPEN, valorizam iniciar a nutrição enteral cedo, mas sem desconsiderar a tolerância gastrointestinal e o estado nutricional basal.

Continue treinando

Questões relacionadas