De acordo com dados do Ministério da Saúde (MS), no ano de 2022, a dengue matou ao menos 1.016 pessoas no Brasil, mais do que o dobro do registrado no ano anterior. O estado de São Paulo liderou o ranking, com 30 % dos óbitos. As apurações realizadas pelo MS evidenciaram que a ocorrência dos óbitos tem como um de seus determinantes o não reconhecimento ou a não valorização dos sinais de alarme. Um caso suspeito de dengue com sinais de alarme é aquele que, no período de defervescência da febre, apresente, entre outros, o seguinte achado:
- A)cefaleia.
Cefaleia é sintoma comum de dengue, mas não é sinal de alarme.
- B)exantema.
Exantema pode ocorrer na dengue, porém também não define gravidade.
- C)prova do laço positiva.
A prova do laço positiva pode aparecer na dengue, mas não é sinal de alarme específico.
- D)leucopenia.
Leucopenia é achado laboratorial frequente na dengue, sem valor isolado como sinal de alarme.
- E)aumento progressivo do hematócrito.
Correta: o aumento progressivo do hematócrito sugere hemoconcentração por extravasamento plasmático, um sinal de alarme na dengue.
Gabarito: E
Na dengue, o ponto mais perigoso costuma aparecer na fase de defervescência da febre, quando a temperatura cai e muita gente acha que o paciente está melhorando. É justamente aí que podem surgir os sinais de alarme, que indicam risco de evolução para dengue grave e pedem observação mais próxima, hidratação vigorosa e atenção redobrada. Entre esses sinais, um dos clássicos é o aumento progressivo do hematócrito, porque ele sugere hemoconcentração por extravasamento plasmático. Esse detalhe é muito cobrado pelo Ministério da Saúde: o doente pode até ter febre indo embora, mas se o hematócrito sobe, é sinal de perda de plasma para o terceiro espaço, o que aponta gravidade. Em outras palavras, a febre caiu, mas o caso pode estar piorando por dentro. A dengue adora essa pegadinha clínica. Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, letargia/irritabilidade, desconforto respiratório, hepatomegalia, acúmulo de líquidos e sangramento importante. O raciocínio é sempre o mesmo: procurar sinais de extravasamento plasmático e risco de choque. Então, nesta questão, o achado que combina com dengue com sinais de alarme é o aumento progressivo do hematócrito, porque ele traduz hemoconcentração e piora da permeabilidade vascular. É exatamente o tipo de informação que o MS usa para separar o caso que parece “melhorando” daquele que, na verdade, pode estar entrando na zona de risco.