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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Mulher com atraso menstrual de oito semanas e beta-HCG positivo tem sangramento vaginal. Ultrassonografia realizada evidencia útero cheio de material ecogênico, contendo múltiplas vesículas anecoicas sem fluxo ao Doppler, não sendo visualizado feto. Os ovários se encontram aumentados com vários cistos de grande volume. Diante desses achados, está corretamente indicado fazer

Gabarito: B

O quadro descreve uma mola hidatiforme, provavelmente completa: atraso menstrual, beta-hCG positivo, sangramento vaginal, útero com conteúdo em “tempestade de neve” ou múltiplas vesículas anecoicas, sem feto, e ovários aumentados com cistos tecaluteínicos. Esse conjunto é bem clássico e aponta para doença trofoblástica gestacional, que precisa ser tratada de forma rápida para reduzir risco de sangramento e de persistência da doença. Nessa situação, o procedimento indicado é a esvaziamento uterino por aspiração, preferencialmente a vácuo, elétrica ou manual com cânula e seringa apropriadas. É o método mais usado na mola hidatiforme, especialmente quando há suspeita de produto gestacional intrauterino sem viabilidade fetal. Depois, o material removido deve ser enviado para estudo anatomopatológico e a paciente precisa de seguimento com beta-hCG seriado. A curetagem com dilatação e raspagem não é a melhor escolha aqui, porque a aspiração a vácuo é mais segura e eficaz para o esvaziamento. Histerectomia fica reservada para situações bem específicas, como desejo reprodutivo inexistente e risco aumentado, e quimioterapia não é tratamento inicial da mola sem evidência de neoplasia trofoblástica persistente. Em resumo: o ultrassom e o beta-hCG desenham a mola, e o passo correto é esvaziar o útero por aspiração. Depois, acompanha-se com dosagem seriada de beta-hCG até negativação, para não deixar passar doença trofoblástica persistente, que é o verdadeiro “vilão de segunda fase”.

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