Mulher com atraso menstrual de oito semanas e beta-HCG positivo tem sangramento vaginal. Ultrassonografia realizada evidencia útero cheio de material ecogênico, contendo múltiplas vesículas anecoicas sem fluxo ao Doppler, não sendo visualizado feto. Os ovários se encontram aumentados com vários cistos de grande volume. Diante desses achados, está corretamente indicado fazer
- A)dosagem de CA 125 e encaminhar ao cirurgião oncológico.
Errada: CA 125 não tem papel no diagnóstico ou tratamento da mola hidatiforme, e o encaminhamento oncológico não é a conduta inicial nesse quadro.
- B)aspiração a vácuo, elétrica ou manual, com seringas plásticas.
Certa: a mola hidatiforme deve ser tratada com esvaziamento uterino por aspiração a vácuo, elétrica ou manual.
- C)curetagem uterina após dilatação cervical com velas de Hegar.
Errada: a curetagem pode ser usada em alguns contextos, mas a técnica preferida é a aspiração a vácuo, que é mais segura e eficaz.
- D)histerectomia total com ooforectomia bilateral.
Errada: histerectomia com ooforectomia bilateral não é tratamento de rotina da mola hidatiforme e seria excessiva para o caso descrito.
- E)quimioterapia com carboplatina e actinomicina D.
Errada: quimioterapia só entra se houver doença trofoblástica persistente ou neoplasia trofoblástica gestacional, não como tratamento inicial da mola.
Gabarito: B
O quadro descreve uma mola hidatiforme, provavelmente completa: atraso menstrual, beta-hCG positivo, sangramento vaginal, útero com conteúdo em “tempestade de neve” ou múltiplas vesículas anecoicas, sem feto, e ovários aumentados com cistos tecaluteínicos. Esse conjunto é bem clássico e aponta para doença trofoblástica gestacional, que precisa ser tratada de forma rápida para reduzir risco de sangramento e de persistência da doença. Nessa situação, o procedimento indicado é a esvaziamento uterino por aspiração, preferencialmente a vácuo, elétrica ou manual com cânula e seringa apropriadas. É o método mais usado na mola hidatiforme, especialmente quando há suspeita de produto gestacional intrauterino sem viabilidade fetal. Depois, o material removido deve ser enviado para estudo anatomopatológico e a paciente precisa de seguimento com beta-hCG seriado. A curetagem com dilatação e raspagem não é a melhor escolha aqui, porque a aspiração a vácuo é mais segura e eficaz para o esvaziamento. Histerectomia fica reservada para situações bem específicas, como desejo reprodutivo inexistente e risco aumentado, e quimioterapia não é tratamento inicial da mola sem evidência de neoplasia trofoblástica persistente. Em resumo: o ultrassom e o beta-hCG desenham a mola, e o passo correto é esvaziar o útero por aspiração. Depois, acompanha-se com dosagem seriada de beta-hCG até negativação, para não deixar passar doença trofoblástica persistente, que é o verdadeiro “vilão de segunda fase”.