No Brasil, os fatores de risco para aquisição da infecção pelo H. pylori (HP) incluem as condições de vida, status sanitário e situação socioeconômica inapropriados. A infecção ocorre geralmente na infância e em ambiente domiciliar. De acordo com o IV Consenso Brasileiro sobre a infecção por HP/2018 e em relação ao tratamento do HP, assinale a afirmativa incorreta.
- A)A duração dos esquemas de erradicação do HP deve ser de 14 dias, especialmente para a terapia tríplice clássica, com o objetivo de alcançar maiores taxas de erradicação.
Certa: o esquema de erradicação deve durar 14 dias para melhorar as taxas de sucesso, principalmente na tríplice clássica.
- B)Apesar dos índices crescentes de resistência à claritromicina e às fluoroquinolonas no Brasil, o uso destes ainda é recomendado no tratamento de HP.
Certa: apesar da resistência crescente à claritromicina e às fluoroquinolonas, elas ainda podem ser usadas em esquemas selecionados, conforme o contexto.
- C)Ainda que o HP apresente alta resistência in vitro aos nitroimidazólicos, eles poderão ser prescritos em situações, posologia e duração especiais.
Certa: os nitroimidazólicos podem ser utilizados em situações específicas, com ajuste de dose e duração, mesmo diante de resistência in vitro.
- D)Nos casos de úlcera gástrica complicada recomenda-se manter o inibidor de bomba protônica por 2 semanas após tratamento de erradicação do HP.
Errada: em úlcera gástrica complicada, 2 semanas de IBP após a erradicação é insuficiente, pois costuma ser necessário tempo maior para cicatrização.
- E)O tratamento após três falhas terapêuticas deve ser restrito a casos especiais (pacientes com linfoma MALT, ressecção de câncer gástrico ou história familiar de câncer gástrico).
Certa: após três falhas terapêuticas, a tendência é restringir novas tentativas a situações especiais bem definidas.
Gabarito: D
O tratamento do H. pylori hoje não é mais aquele esquema “receita de sempre e pronto”. O IV Consenso Brasileiro (2018) reforça que a escolha deve considerar resistência local, tempo adequado de uso e situações clínicas associadas, porque errar no esquema é pedir para a bactéria continuar morando de graça no estômago. Em geral, a duração dos esquemas de erradicação deve ser de 14 dias, especialmente na terapia tríplice clássica, para aumentar a chance de cura. Também é verdade que, embora haja resistência crescente à claritromicina e às fluoroquinolonas no Brasil, esses antibióticos ainda podem ser usados em cenários selecionados, conforme o contexto clínico e a estratégia terapêutica. Os nitroimidazólicos, como o metronidazol, podem ser aproveitados mesmo com resistência in vitro, porque ajuste de dose, associação e duração podem contornar parte desse problema. E, após múltiplas falhas, o tema deixa de ser “tentativa e erro” e passa a ser reservado a casos especiais, como linfoma MALT, pós-ressecção de câncer gástrico ou forte história familiar de câncer gástrico. A alternativa incorreta é a D porque, nos casos de úlcera gástrica complicada, não se recomenda apenas manter o inibidor de bomba de prótons por 2 semanas após a erradicação. Em geral, o controle da cicatrização da úlcera gástrica exige tempo maior de supressão ácida, e essa duração curta fica abaixo do que se espera na prática orientada por consenso.