E.V.S., masculino, 3 anos, está há cerca de 5 dias com quadro de coriza, tosse e febre. Há 24h apresenta quadro de dor abdominal e inapetência com 1 episódio de vomito. Ao exame pouco desidratado 1+/4+, ativo, corado, ausculta pulmonar rude com estertoração em base esquerda, sem esforço respiratório, SAT 97% em AA, FR = 32irpm, FC = 100bpm. Realizador exames complementares que evidenciaram um hemograma com 15,500 leucócitos, 6% de bastões, 65 segmentados, 160.000 plaquetas, radiografia de tórax com consolidação em base esquerda. Nesse caso, a conduta correta é
- A)prescrever ceftriaxona I.M. para aplicação em unidade de emergência por 5 dias.
Errada, porque ceftriaxona IM por 5 dias não é a conduta padrão para pneumonia leve em criança estável, sem critérios de gravidade.
- B)internação hospitalar e antibioticoterapia venosa com ceftriaxona e claritromicina.
Errada, porque não há indicação de internação nem de esquema venoso com cobertura para atípicos em um paciente clinicamente estável e com boa saturação.
- C)internação hospitalar e antibioticoterapia venosa com penicilina cristalina.
Errada, porque penicilina cristalina venosa é opção hospitalar, reservada para quadros mais graves ou com necessidade de internação.
- D)prescrição de amoxicilina V.O. e retorno em 48h para reavaliação.
Certa, porque a criança está sem sinais de gravidade e deve ser tratada ambulatorialmente com amoxicilina por via oral e reavaliação precoce.
- E)por se tratar de uma pneumonia atípica o antibiótico indicado é a azitromicina.
Errada, porque o quadro é mais compatível com pneumonia bacteriana típica do que com pneumonia atípica, e azitromicina não é a primeira escolha aqui.
Gabarito: D
Em criança de 3 anos com tosse, febre, ausculta com estertores focais e radiografia mostrando consolidação, o diagnóstico mais provável é pneumonia adquirida na comunidade. O ponto-chave aqui é avaliar gravidade: ele está ativo, com saturação boa, sem esforço respiratório, sem taquipneia importante para a idade e sem sinais de toxemia ou hipoxemia. Isso favorece tratamento ambulatorial, e não internação. Nesses casos, a primeira escolha costuma ser amoxicilina por via oral, porque cobre bem Streptococcus pneumoniae, principal agente bacteriano nessa faixa etária. A criança deve ser orientada a retorno precoce para reavaliação, em geral em 48 horas, caso não haja melhora ou se surgirem sinais de piora. Ou seja: quadro com cara de pneumonia bacteriana leve, tratamento por boca e vigilância atenta. As alternativas com antibiótico venoso ou internação ficam para criança com desconforto respiratório, hipoxemia, incapacidade de ingerir via oral, aspecto tóxico, complicações ou falha terapêutica. Já a suspeita de pneumonia atípica é bem menos provável em pré-escolar pequeno com consolidação lobar e sintomas típicos de pneumonia bacteriana. A lógica prática da questão é simples: está estável, então não precisa hospitalizar à toa.