Paciente do sexo masculino, 45 anos, procura atendimento com queixa de diarreia há 5 dias, sem febre, sem presença de muco ou sangue nas fezes. Nega emagrecimento. Nega comorbidades ou uso regular de medicações. Não fez viagens recentes. Ao exame: lúcido, orientado no tempo e no espaço, afebril, corado, anictérico, eupneico, enchimento capilar adequado, PA 110 x 70mmHg, FC 90bpm. Abdômen atípico, flácido, indolor, sem massas palpáveis. Assinale a opção que indica a conduta mais adequada para o caso descrito.
- A)Coprocultura.
Errada, porque coprocultura não é exame de rotina em diarreia aguda sem sinais de gravidade ou disenteria.
- B)Hidratação venosa.
Errada, porque não há sinais clínicos de desidratação grave, choque ou incapacidade de ingerir líquidos para justificar hidratação venosa.
- C)Antibioticoterapia.
Errada, porque não há critérios clínicos que indiquem antibiótico empírico neste quadro de provável gastroenterite autolimitada.
- D)Hidratação oral.
Certa, porque o paciente está hemodinamicamente estável e sem sinais de alarme, então a melhor conduta é hidratação oral e suporte.
- E)Probióticos.
Errada, porque probióticos podem ser apenas adjuvantes em alguns casos, mas não substituem a medida principal, que é a reidratação.
Gabarito: D
Em diarreia aguda, o primeiro passo é pensar na gravidade: o paciente está hidratado ou desidratado? Aqui, ele está lúcido, com pressão e frequência adequadas, sem febre, sem sangue, sem muco e sem sinais de alarme. Isso sugere um quadro leve, provavelmente autolimitado, em que o tratamento é basicamente de suporte. Nada de sair atropelando com exames ou antibiótico como se fosse um caso complicado. A conduta mais importante, nesse cenário, é repor líquidos por via oral. A hidratação oral é a preferida quando o paciente consegue ingerir líquidos e não há sinais de desidratação importante, choque, vômitos incoercíveis ou rebaixamento do nível de consciência. É a medida que previne complicações e costuma resolver o problema junto com orientação alimentar e observação clínica. Coprocultura não é rotina em diarreia aguda sem sinais de gravidade, porque o quadro costuma ser viral ou autolimitado. Antibiótico também não entra de saída, já que não há febre, disenteria, viagem recente, imunossupressão ou suspeita forte de infecção bacteriana invasiva. Probióticos podem até ser discutidos como adjuvantes em alguns casos, mas não são a conduta principal que a prova quer cobrar. Então, a resposta é hidratação oral. Em prova de Medicina de Família, a lógica é simples: paciente está estável, sem bandeiras vermelhas, sem desidratação relevante, logo o tratamento é conservador e ambulatorial.