Assinale a opção que associa corretamente as complicações na diálise peritoneal e a respectiva abordagem.
- A)Presença de líquido hemorrágico – manter a heparina no líquido de diálise.
Certa: líquido hemorrágico na diálise peritoneal pode se beneficiar de heparina no dialisato para evitar fibrina e manter a drenagem.
- B)Distensão abdominal e vômitos – aumentar o volume de líquido de diálise infundido.
Errada: distensão abdominal e vômitos sugerem intolerância ao volume, então a conduta tende a ser reduzir ou ajustar o volume, não aumentá-lo.
- C)Baixa eficiência da diálise – diminuir o volume de líquido de diálise infundido.
Errada: baixa eficiência da diálise costuma pedir maior volume, mais trocas ou maior tempo de permanência, e não diminuição do volume.
- D)Falta de drenagem do dialisato – aumentar o volume de líquido de diálise infundido.
Errada: falta de drenagem indica problema mecânico ou obstrução do cateter, e aumentar o volume pode piorar a situação.
- E)Líquido de diálise turvo – aumentar o tempo de permanência do líquido de diálise na cavidade.
Errada: líquido turvo sugere peritonite e exige investigação/tratamento, não maior permanência do dialisato na cavidade.
Gabarito: A
Na diálise peritoneal, o peritônio funciona como uma membrana de troca e o dialisato precisa entrar, permanecer o tempo adequado e depois drenar bem. Quando algo foge desse ciclo, a clínica costuma apontar o caminho: dor, distensão, vômitos, drenagem ruim ou líquido turvo não são detalhes inocentes, são sinais de alerta. Um ponto clássico é o líquido hemorrágico. Isso pode acontecer por traço de sangue no cateter, pequenas lesões locais ou manipulação, e a conduta habitual é manter heparina no dialisato. A heparina não é para tratar sangramento sistêmico, mas para evitar fibrina e ajudar a manter o cateter pérvio, o que melhora a drenagem. Em outras palavras: o líquido fica sangrento, você não precisa “tirar a heparina do caminho”, e sim usá-la quando indicada para evitar obstrução por coágulos. Já distensão abdominal e vômitos costumam sugerir intolerância ao volume ou excesso de pressão intra-abdominal, então o raciocínio não é aumentar o volume infundido, e sim reduzir ou ajustar a prescrição. De modo parecido, baixa eficiência de diálise pede, em geral, aumento do volume, aumento do número de trocas ou ajuste do tempo de permanência, não redução do volume. Falta de drenagem também aponta para problema mecânico, fibrina, dobra do cateter ou constipação, e a solução não é simplesmente jogar mais líquido dentro. Se o líquido de diálise fica turvo, pense em peritonite até prova em contrário. A prioridade é investigação e tratamento, não aumentar o tempo de permanência do líquido na cavidade, porque isso só dá mais tempo para a inflamação trabalhar. Em suma, a questão cobra a lógica prática da diálise peritoneal: identificar o tipo de problema e escolher uma conduta que faça sentido fisiológico.