Paciente com dor torácica, lipotimia e dispneico admitido na Emergência após trauma por acidente automobilístico. Exame físico: PA 80 x 44 mmHg, sendo que a PA sistólica diminuía >10 mmHg na inspiração, FC 108 bpm, ausculta cardíaca com bulhas hipofonéticas e ausculta pulmonar normal. Presença de TJP 90o . ECG: taquicardia e baixa voltagem. Assinale a opção que indica o tratamento definitivo de escolha.
- A)Reposição de volume e pericardiocentese.
Errada, porque a pericardiocentese pode ser apenas temporária no tamponamento traumático e não é o tratamento definitivo de escolha.
- B)Dobutamina e pericardiocentese.
Errada, porque dobutamina não resolve a compressão pericárdica e a drenagem por agulha não é a melhor solução definitiva no trauma.
- C)Reposição de volume e dobutamina.
Errada, porque reposição de volume sozinha não desfaz o tamponamento e a dobutamina não trata a causa mecânica do choque.
- D)Dobutamina e drenagem pericárdica cirúrgica.
Errada, porque a drenagem cirúrgica é correta, mas dobutamina não é o suporte inicial preferido nesse contexto de choque obstrutivo.
- E)Reposição de volume e drenagem pericárdica cirúrgica.
Certa, porque em tamponamento cardíaco traumático a medida definitiva é a drenagem pericárdica cirúrgica, com reposição de volume como suporte inicial.
Gabarito: E
O quadro descreve tamponamento cardíaco: hipotensão, turgência jugular, bulhas hipofonéticas, pulso paradoxal (queda da sistólica na inspiração maior que 10 mmHg), taquicardia e baixa voltagem no ECG. Em trauma automobilístico, pense em hemopericárdio por lesão cardíaca ou de grandes vasos até prova em contrário. Aqui o problema não é “falta de força do coração”, e sim compressão externa do coração pelo líquido no pericárdio. Na fase inicial, reposição de volume pode ajudar a manter a perfusão porque aumenta temporariamente a pré-carga, mas isso é ponte, não solução. O tratamento definitivo é retirar o sangue/líquido do pericárdio. Em tamponamento traumático, a conduta de escolha é drenagem pericárdica cirúrgica, porque a causa costuma ser sangue espesso/coágulos, e a pericardiocentese pode falhar ou aliviar de forma incompleta. A lógica é simples: se o coração está “espremido”, você primeiro sustenta a circulação e depois abre espaço para ele bater. Por isso a alternativa E está correta: reposição de volume + drenagem pericárdica cirúrgica. Em trauma, a pericardiocentese pode ser um procedimento temporário ou de resgate, mas não costuma ser a solução definitiva preferida. Esse raciocínio é compatível com a abordagem de emergência do tamponamento cardíaco ensinada em trauma e suporte avançado, em que o tratamento definitivo depende da etiologia. Quando o tamponamento é traumático, a drenagem cirúrgica é o caminho mais seguro e efetivo.