Paciente de 65 anos de idade, hipertenso, com doença cardíaca coronariana grave, é diagnosticado com leucemia mieloide crônica. Apresenta ausência de resposta após o tratamento inicial com imatinibe. Assinale a opção que apresenta o tratamento de escolha para esse paciente.
- A)Ponatinibe.
Errada, porque o ponatinibe tem alto risco de eventos trombóticos e vasculares, sendo uma escolha ruim em paciente com doença coronariana grave.
- B)Dasatinibe.
Certa, pois o dasatinibe é uma opção de segunda geração após falha ao imatinibe e é mais apropriado que os fármacos com maior toxicidade cardiovascular.
- C)Transplante de medula óssea.
Errada, porque o transplante de medula óssea não é a escolha imediata aqui; primeiro se tenta outro inibidor de tirosina-quinase.
- D)Nilotinibe.
Errada, porque o nilotinibe aumenta o risco de eventos cardiovasculares e vasculares, o que pesa contra seu uso neste paciente.
- E)Venetoclax.
Errada, porque venetoclax é usado em outras neoplasias hematológicas, especialmente leucemias linfoides, e não é tratamento de escolha da LMC.
Gabarito: B
Na leucemia mieloide crônica, o imatinibe costuma ser o primeiro passo, mas nem sempre ele resolve o caso. Quando há falha ao tratamento inicial, o próximo movimento é trocar para um inibidor de tirosina-quinase de segunda geração. Aqui entra o detalhe que a banca adora: o perfil de toxicidade cardiovascular faz toda a diferença na escolha. Neste paciente, há hipertensão e doença coronariana grave. Isso praticamente acende a luz amarela para fármacos com maior risco de eventos vasculares, como nilotinibe e ponatinibe. O ponatinibe, por exemplo, é muito associado a trombose e oclusão arterial, então não é uma boa escolha num coronariopata importante. O dasatinibe, por outro lado, é uma alternativa clássica após falha ao imatinibe e é preferido quando se quer evitar esse peso cardiovascular. Ele não é isento de efeitos adversos, claro, porque pode causar derrame pleural e hipertensão pulmonar, mas, neste cenário, ele é a opção mais adequada entre as alternativas. Em resumo: falhou o imatinibe, o paciente tem alto risco cardiovascular e a melhor troca é para um TKI de segunda geração com perfil mais favorável para esse contexto. Por isso, o gabarito é dasatinibe.