Pacientes com pneumonia comunitária geralmente precisam de cobertura para Streptoccoccus pneumoniae e germes atípicos. Porém, em alguns casos é necessária a cobertura para outros germes, como a Pseudomonas aeruginosa. Para esse caso, assinale a opção que indica uma situação de risco.
- A)Hospitalização nos últimos 3 meses com uso de antibiótico IV.
Correta, porque hospitalizacao recente com uso de antibiotico IV e fator classico de risco para Pseudomonas aeruginosa na pneumonia comunitaria.
- B)Colonização por Staphylococcus aureus metilcilina resistente (MRSA).
Errada, pois colonizacao por MRSA aponta para risco de Staphylococcus aureus resistente, nao para Pseudomonas.
- C)Doença renal terminal em hemodiálise.
Errada, porque hemodialise aumenta risco de algumas infeccoes e de resistencias, mas nao e fator classico isolado para Pseudomonas nesta questao.
- D)Pneumonia complicada com empiema.
Errada, já que empiema sugere complicacao pleural da pneumonia, mas nao define risco especifico para Pseudomonas.
- E)Pneumonia demonstrando padrão cavitário ou necrotizante.
Errada, porque padrão cavitario ou necrotizante costuma lembrar outros agentes, como Staphylococcus aureus e anaerobios, e nao e o marcador mais tipico de Pseudomonas.
Gabarito: A
Na pneumonia adquirida na comunidade, o alvo principal costuma ser o pneumococo e os agentes atipicos, que ja respondem pela maior parte dos quadros. Mas existe um subgrupo de pacientes em que voce precisa ampliar a mira, porque certos fatores aumentam o risco de patogenos mais “chatinhos”, como a Pseudomonas aeruginosa. Nesses casos, o tratamento empirico pode mudar bastante, justamente para nao deixar um germe resistente passar batido. O ponto central da questao e reconhecer os fatores de risco para Pseudomonas. Entre os mais cobrados estao hospitalizacao recente com uso de antibiotico intravenoso, doenca pulmonar estrutural importante, bronquiectasias, uso previo de antibioticos de amplo espectro e, em alguns cenarios, colonizacao previa por esse agente. A ideia e simples: se a pessoa esteve recentemente em contato com ambiente hospitalar e antibiotico na veia, a flora pode mudar e a chance de Pseudomonas sobe. Por isso, o gabarito e a alternativa A: hospitalizacao nos ultimos 3 meses com uso de antibiotico IV. Isso e um sinal classico de risco para germes mais resistentes, incluindo Pseudomonas, e justifica cobertura ampliada na pneumonia comunitaria. Em diretrizes atuais, essa suspeita deve ser guiada por fatores de risco clinicos, e nao por gravidade isolada do quadro. As demais alternativas parecem graves, mas nao apontam especificamente para Pseudomonas. Algumas se relacionam com outros cenarios microbiologicos, como MRSA ou pneumonia necrotizante, mas a questao pede um fator de risco para Pseudomonas. Em prova, a banca gosta de trocar “pneumonia grave” por “pneumonia com risco de germe diferente”, entao vale olhar o antecedente do paciente, que costuma entregar a resposta.