O Brasil é um dos países com o maior número de pacientes em hemodiálise devido à insuficiência renal crônica. Sobre os acessos para a hemodiálise, é correto afirmar que
- A)o cateter de longa permanência atualmente é melhor opção como acesso permanente do que a confecção de fístula arteriovenosa.
Errada, porque o cateter de longa permanência não é melhor opção permanente do que a fístula arteriovenosa, já que tem mais risco de infecção e pior desempenho a longo prazo.
- B)a trombose da fístula arteriovenosa é a principal causa de perda funcional da mesma.
Certa, porque a trombose é uma das principais causas de perda funcional da fístula arteriovenosa, frequentemente relacionada a estenose associada.
- C)a estenose da anastomose deve sempre ser tratada independente do grau de obstrução.
Errada, porque a estenose não deve ser tratada sempre independentemente do grau de obstrução; a indicação depende de repercussão clínica e hemodinâmica.
- D)o pseudoaneurisma é a principal causa de perda da mesma.
Errada, porque o pseudoaneurisma pode complicar o acesso, mas não é a principal causa de perda da fístula.
- E)a melhor opção é o rodízio de acessos venosos de curta permanência.
Errada, porque o rodízio de acessos venosos de curta permanência aumenta complicações e não é a melhor estratégia para hemodiálise crônica.
Gabarito: B
Na hemodiálise, o acesso vascular que costuma ser o melhor e mais duradouro é a fístula arteriovenosa, porque ela tende a ter menor risco de infecção e maior sobrevida quando comparada aos cateteres. Na prática, o cateter entra mais como solução provisória ou de resgate, e não como primeira escolha para uso permanente. Aqui mora o ponto central da questão: os acessos de diálise falham por vários motivos, mas a trombose da fístula é uma das principais causas de perda funcional, geralmente associada a estenose prévia, principalmente na região da anastomose ou da veia de saída. Ou seja, o vaso estreita, o fluxo cai e a fístula pode trombosar - um final nada elegante para um acesso que deveria durar bastante. A FGV gosta de cobrar a lógica dos acessos: preservar veias, preferir fístula arteriovenosa quando possível, evitar cateter de longa permanência como primeira opção definitiva e lembrar que complicações mecânicas e hemodinâmicas são as que mais derrubam o acesso. Isso também conversa com a prática nefrológica e com as diretrizes de cuidado vascular, que valorizam o planejamento do acesso e a vigilância para estenose e trombose. Então, se a questão fala em causa de perda funcional da fístula, pense primeiro em trombose. Pseudoaneurisma, estenose e outras complicações podem acontecer, mas não costumam ser a principal resposta cobrada como causa mais comum de falha do acesso. E rodízio de cateter venoso curto, sinceramente, é receita para problema, não para solução.