Acerca da reconstrução mamária por câncer de mama, é correto afirmar que, na maioria dos casos,
- A)a reconstrução mamária, baseada idealmente em implantes, pode ser aplicada a todas as pacientes a despeito do tratamento coadjuvante.
Errada, porque implantes não servem para todas as pacientes, especialmente quando há radioterapia ou maior risco de complicações locais.
- B)a existência de toracotomia póstero anterior prévia não deve ser considerada como uma contraindicação ao uso do retalho grande dorsal.
Errada, porque cirurgia torácica prévia pode sim alterar a anatomia e precisa ser considerada, não sendo uma regra de desprezo absoluto.
- C)a artéria torácica interna e as veias adjacentes são os vasos receptores usados como primeira opção de anastomose para o retalho da perfurante da artéria epigástrica profunda inferior (DIEP).
Certa, porque os vasos torácicos internos e suas veias adjacentes são a primeira opção clássica de anastomose para o retalho DIEP.
- D)a lipoenxertia na mama reconstruída está contraindicada pela chance de esteatonecrose e artefatos nos exames da imagem posteriormente.
Errada, porque a lipoenxertia pode ser usada na mama reconstruída, embora possa causar esteatonecrose e alterações em exames de imagem.
- E)a opção terapêutica de completar a expansão antes da radioterapia deve ser evitada.
Errada, porque a expansão antes da radioterapia não deve ser evitada de forma absoluta; a conduta depende do planejamento reconstrutivo e do tratamento oncológico.
Gabarito: C
Na reconstrução mamária após câncer de mama, a escolha da técnica depende de um trio que manda muito no resultado: tipo de tratamento oncológico, qualidade dos tecidos e desejo da paciente. Em termos práticos, implante não é solução universal, porque radioterapia e algumas cirurgias prévias aumentam risco de complicações, contratura capsular e pior resultado estético. Já as reconstruções com retalhos autólogos seguem a lógica de usar tecido bem vascularizado, o que costuma funcionar melhor quando a mama recebeu ou vai receber radioterapia. O ponto central da questão está no retalho DIEP, que é um retalho abdominal baseado nas perfurantes da artéria epigástrica inferior profunda. Na maioria dos casos, os vasos receptores de primeira escolha para a anastomose são os vasos torácicos internos, especialmente a artéria torácica interna e as veias adjacentes, por oferecerem bom calibre, acesso anatômico favorável e excelentes taxas de permeabilidade. Por isso, o item C está correto. As demais alternativas tentam confundir com regras muito absolutas. Em reconstrução mamária, quase nada é proibido em termos absolutos: existe indicação, planejamento e adaptação ao caso. Lipoenxertia, por exemplo, não é contraindicada por definição; ela pode ser usada, embora possa haver esteatonecrose e achados de imagem que exigem experiência do radiologista. E, quando há radioterapia, a estratégia de expansão e o timing do implante precisam ser individualizados, porque a radiação costuma complicar o jogo, não simplificá-lo. Em provas de oncologia cirúrgica, a banca gosta de testar exatamente isso: vasos receptores do DIEP, influência da radioterapia e falsas proibições sobre técnicas reconstrutivas. Se você lembrar que os vasos torácicos internos são os receptores clássicos do DIEP, já sai na frente.