Sobre os fatores que influenciam a transmissão vertical (TV) do HIV, é correto afirmar que
- A)a aferição do pH fetal por micropunção da apresentação fetal não influencia a taxa de TV.
Errada: a avaliação de pH fetal por micropunção é um procedimento invasivo e não pode ser tratada como algo que "não influencia" de forma absoluta, pois intervenções que aumentam manipulação fetal podem impactar o risco de transmissão.
- B)o misoprostol para indução do parto está contraindicado em pacientes portadoras do HIV.
Errada: misoprostol não é, por si só, uma contraindicação específica apenas por HIV; a decisão obstétrica depende do contexto clínico e da via de parto, não dessa afirmação genérica.
- C)pacientes infectadas por Neisseria gonorrhoeae têm maiores taxas de TV.
Certa: infecção por Neisseria gonorrhoeae aumenta a inflamação genital e se associa a maior risco de transmissão vertical do HIV.
- D)em casos selecionados deve ser oferecida cordocentese para avaliar infecção fetal pelo HIV.
Errada: cordocentese não é exame de rotina para avaliar infecção fetal por HIV e, por ser invasivo, não é indicada como estratégia padrão nessa situação.
- E)o ganho de peso materno insuficiente não tem associação com as taxas de TV.
Errada: ganho de peso materno insuficiente não é o fator clássico cobrado como neutro; o risco de transmissão se relaciona mais com carga viral, ISTs, parto e intervenções obstétricas.
Gabarito: C
A transmissão vertical do HIV depende de vários fatores, como carga viral materna, uso de antirretrovirais, tempo de rotura de membranas, tipo de parto e presença de infecções genitais associadas. Em geral, tudo que aumenta a inflamação ou a exposição do feto ao sangue e secreções maternas pode facilitar a passagem do vírus. Por isso, o raciocínio da questão gira em torno do que aumenta ou não aumenta esse risco. A alternativa correta é a letra C. A infecção por Neisseria gonorrhoeae está associada a maiores taxas de transmissão vertical do HIV porque as ISTs aumentam a inflamação local e a replicação viral nas secreções genitais, elevando a chance de transmissão. Em outras palavras: quando há cervicite ou outras infecções genitais, o HIV ganha um ambiente mais favorável para passar da mãe para o bebê. As demais alternativas misturam condutas obstétricas ou procedimentos que não se encaixam como fator clássico de aumento da transmissão. Em prova, a banca costuma cobrar exatamente essa ideia: fatores obstétricos e infecciosos importam muito, mas nem toda intervenção invasiva ou medicamento citado no enunciado é automaticamente um vilão do HIV. Na prática, o ponto doutrinário central é que a redução da carga viral com terapia antirretroviral e o controle de infecções intercorrentes são as principais medidas para reduzir a transmissão vertical, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e protocolos clínicos de HIV na gestação.