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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 50 anos, sexo masculino, etilista crônico dá entrada na emergência com desorientação. Ao exame possui nistagmo horizontal e paralisia do reto lateral bilateral. Glicemia capilar com 70 mg/dL, sendo administrado glicose hipertônica IV. Assinale a opção que apresenta, após essa conduta terapêutica, a evolução esperada.

Gabarito: E

Esse quadro é clássico de encefalopatia de Wernicke, muito associada ao etilismo crônico e à deficiência de tiamina (vitamina B1). A tríade mais lembrada é confusão mental, alterações oculomotoras e ataxia, e aqui o paciente já entrega duas pistas fortes: desorientação, nistagmo horizontal e paralisia do reto lateral bilateral. Em prova, isso costuma aparecer disfarçado de “paciente alcoólatra que recebeu glicose”. O ponto-chave é que a glicose aumenta a demanda metabólica por tiamina. Se o paciente já está com pouca tiamina, dar glicose primeiro pode piorar o quadro neurológico, porque o cérebro fica ainda mais dependente de uma via energética que está falhando. Na prática, a conduta correta é repor tiamina antes da glicose sempre que houver suspeita de deficiência, especialmente em etilista crônico. Por isso o gabarito é a alternativa E: após a administração de glicose hipertônica, a evolução esperada é agravamento do quadro neurológico. A banca quer que você associe o etilismo crônico + sinais oculomotores + confusão mental com Wernicke e lembre da velha regra de ouro: tiamina antes da glicose. Resumo de prova: não é “deterioração inevitável por acaso”; é a fisiopatologia andando de mãos dadas com a conduta errada. A glicose, sozinha, pode empurrar o paciente para piora neurológica quando a tiamina está em falta.

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