Paciente de 50 anos, sexo masculino, etilista crônico dá entrada na emergência com desorientação. Ao exame possui nistagmo horizontal e paralisia do reto lateral bilateral. Glicemia capilar com 70 mg/dL, sendo administrado glicose hipertônica IV. Assinale a opção que apresenta, após essa conduta terapêutica, a evolução esperada.
- A)Ausência de resposta com todos sinais neurológicos mantidos.
Errada, porque a glicose não costuma deixar tudo igual em encefalopatia de Wernicke e pode até piorar o déficit neurológico.
- B)Melhora parcial do quadro, especialmente do nistagmo.
Errada, pois a melhora do nistagmo seria esperada com reposição de tiamina, não com glicose isolada.
- C)Melhora parcial do quadro, especialmente da desorientação.
Errada, porque a desorientação tende a não melhorar e pode piorar após glicose se a deficiência de tiamina não foi corrigida.
- D)Melhora completa de todos os sintomas neurológicos.
Errada, já que a glicose hipertônica não trata o problema de base e não leva à resolução completa dos sinais neurológicos.
- E)Agravamento do quadro neurológico.
Certa, porque em paciente etilista com deficiência de tiamina, a administração de glicose antes da tiamina pode agravar a encefalopatia de Wernicke.
Gabarito: E
Esse quadro é clássico de encefalopatia de Wernicke, muito associada ao etilismo crônico e à deficiência de tiamina (vitamina B1). A tríade mais lembrada é confusão mental, alterações oculomotoras e ataxia, e aqui o paciente já entrega duas pistas fortes: desorientação, nistagmo horizontal e paralisia do reto lateral bilateral. Em prova, isso costuma aparecer disfarçado de “paciente alcoólatra que recebeu glicose”. O ponto-chave é que a glicose aumenta a demanda metabólica por tiamina. Se o paciente já está com pouca tiamina, dar glicose primeiro pode piorar o quadro neurológico, porque o cérebro fica ainda mais dependente de uma via energética que está falhando. Na prática, a conduta correta é repor tiamina antes da glicose sempre que houver suspeita de deficiência, especialmente em etilista crônico. Por isso o gabarito é a alternativa E: após a administração de glicose hipertônica, a evolução esperada é agravamento do quadro neurológico. A banca quer que você associe o etilismo crônico + sinais oculomotores + confusão mental com Wernicke e lembre da velha regra de ouro: tiamina antes da glicose. Resumo de prova: não é “deterioração inevitável por acaso”; é a fisiopatologia andando de mãos dadas com a conduta errada. A glicose, sozinha, pode empurrar o paciente para piora neurológica quando a tiamina está em falta.