Paciente de 23 anos, feminina, sabidamente alérgica a camarão, é admitida no pronto-socorro após ingestão acidental de alimento contendo o alérgeno. Na entrada, em regular estado geral, corada, hidratada, FC 90 bpm, FR 16 irpm, SpO2 96% em ar ambiente, PA 120x60 mmHg, com aparecimento de rash urticariforme difuso, dor abdominal e 3 episódios de vômitos desde a ingestão do camarão. A melhor conduta imediata a ser tomada para o caso descrito é administração de
- A)adrenalina intramuscular na dose de 0.5 mg em bolus.
Correta: a adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha da anafilaxia, e 0,5 mg IM no adulto é a dose adequada.
- B)adrenalina endovenosa na dose de 1 mg em bolus.
Errada: adrenalina endovenosa em bolus não é a via inicial e aumenta muito o risco de arritmias e complicações graves.
- C)hidrocortisona 300 mg endovenosa e hidroxizina 25 mg via oral.
Errada: corticoide e anti-histamínico podem ser adjuvantes, mas não tratam a anafilaxia de forma imediata nem substituem a adrenalina.
- D)loratadina 10 mg via oral e de metoclopramida 10 mg endovenosa.
Errada: loratadina e metoclopramida tratam sintomas isolados, mas não controlam a reação anafilática nem evitam progressão.
- E)hidrocortisona 300 mg endovenosa, loratadina 10 mg via oral e metoclopramida 10 mg endovenosa.
Errada: mesmo associando corticoide, anti-histamínico e antiemético, falta a medicação essencial e imediata para anafilaxia.
Gabarito: A
A paciente tem quadro típico de anafilaxia por alimento: exposição ao alérgeno conhecido, urticária difusa, sintomas gastrointestinais e evolução aguda logo após a ingestão. Em emergência, o primeiro passo não é “segurar” com antialérgico ou corticoide: a conduta imediata é adrenalina intramuscular, porque ela reduz broncoespasmo, edema e vasodilatação, além de ajudar a prevenir piora rápida do quadro. Em anafilaxia, tempo é ouro - e adrenalina é a protagonista da cena. Mesmo sem hipotensão, sem hipoxemia e sem desconforto respiratório importante, já há comprometimento de dois sistemas após exposição a alimento: pele e trato gastrointestinal. Isso é suficiente para anafilaxia e pede tratamento imediato. Na prática, a adrenalina deve ser aplicada no músculo da coxa, em dose de 0,5 mg IM em adulto, podendo ser repetida se necessário, com monitorização e suporte conforme a evolução. Corticoides, anti-histamínicos e antieméticos podem até entrar como coadjuvantes depois, mas não substituem a adrenalina na primeira hora. Esse é um ponto clássico de prova e também de urgência real: antialérgico não “segura” anafilaxia. As diretrizes internacionais de alergia e emergência são consistentes em colocar a adrenalina IM como tratamento de primeira linha na anafilaxia. Por isso, o gabarito é a alternativa A: adrenalina intramuscular 0,5 mg em bolus. Em linguagem de pronto-socorro: viu anafilaxia, pense em adrenalina primeiro, porque o resto é complemento.