Uma variedade de manifestações cardiovasculares pode ser observada em pacientes com doenças reumatológicas sistêmicas. Embora o acometimento coronariano possa ocorrer por meio de diversos mecanismos diferentes, a aterosclerose prematura representa um processo fisiopatológico frequente. Entre as doenças abaixo, assinale a que está mais associada ao desenvolvimento prematuro de doença coronariana aterosclerótica, independentemente dos fatores de risco aterogênicos tradicionais.
- A)Artrite reumatoide.
Correta: a artrite reumatoide está fortemente associada a aterosclerose prematura e maior risco de doença coronariana, mesmo sem fatores de risco tradicionais importantes.
- B)Poliarterite nodosa.
Errada: a poliarterite nodosa causa vasculite de artérias médias, podendo afetar coronárias, mas não é a associação clássica com aterosclerose precoce.
- C)Doença de Kawasaki.
Errada: a doença de Kawasaki acomete sobretudo crianças e pode causar aneurismas coronarianos, não aterosclerose prematura como mecanismo principal.
- D)Síndrome de Churg-Strauss.
Errada: a síndrome de Churg-Strauss é uma vasculite eosinofílica de pequenos vasos, com possível acometimento cardíaco, mas não é a principal causa de doença coronariana aterosclerótica precoce.
- E)Granulomatose com poliangeíte.
Errada: a granulomatose com poliangeíte pode envolver o coração, porém sua ligação típica é com vasculite necrosante, não com aterosclerose coronariana precoce.
Gabarito: A
Em doenças reumatológicas sistêmicas, o coração e os vasos podem sofrer por inflamação direta, vasculite e também por aceleração da aterosclerose. Entre esses mecanismos, a aterosclerose prematura é um ponto clássico em algumas doenças autoimunes, porque a inflamação crônica “aperta o acelerador” do processo aterosclerótico, mesmo quando os fatores de risco tradicionais não explicam tudo. A campeã dessa associação é a artrite reumatoide. Nela, o risco cardiovascular sobe de forma relevante e a doença coronariana aterosclerótica aparece mais cedo, mais frequentemente e, muitas vezes, com gravidade desproporcional ao perfil lipídico ou pressórico do paciente. Em outras palavras: não é só colesterol e hipertensão; a própria inflamação sustentada contribui para lesão endotelial e formação de placa. Na prática de prova, isso costuma cair como “risco cardiovascular aumentado independentemente dos fatores de risco clássicos”. Esse enunciado é praticamente a senha para lembrar de artrite reumatoide, além de outras doenças inflamatórias crônicas, mas aqui a associação mais cobrada e mais forte é com a artrite reumatoide. É um daqueles casos em que o sistema imune, em vez de ajudar, resolve dar uma mãozinha para a placa de ateroma. As demais alternativas também podem ter acometimento coronariano, mas por mecanismos diferentes, como vasculite de vasos médios ou pequenos, e não por aterosclerose prematura como destaque principal. Então, para essa questão, o gabarito é a artrite reumatoide.