Uma mulher de 60 anos é atendida na emergência com queixas de dor retal e sem alterações dos sinais vitais ou com outras queixas. Ao exame proctológico foi identificado tumor de reto a 6 cm da borda anal. Realizada, TC de abdome e pelve mostrou uma perfuração bloqueada do reto na mesma topografia do tumor, sem outras alterações. O melhor tratamento inicial deverá ser
- A)radioquimioterapia.
A radioquimioterapia é parte importante do tratamento do câncer de reto, mas não é a melhor medida inicial diante de uma perfuração bloqueada.
- B)desvio do trânsito intestinal com colostomia.
Correta: o desvio do trânsito intestinal com colostomia controla a complicação aguda e reduz o risco de contaminação local antes do tratamento definitivo.
- C)ressecção do reto e ileostomia em alça.
A ressecção do reto com ileostomia em alça não é a conduta inicial adequada aqui, e a derivação habitual para descompressão do cólon/reto é outra.
- D)ressecção abdominoperineal do reto.
A ressecção abdominoperineal é cirurgia definitiva para alguns tumores baixos, mas não deve ser o primeiro passo na presença de perfuração bloqueada.
- E)aplicação de endoclipes metálicos.
Endoclipes podem ter papel em hemostasia ou fechamento de pequenas perfurações selecionadas, mas não resolvem esse cenário oncológico complicado.
Gabarito: B
Em tumor de reto baixo com perfuração bloqueada, o objetivo inicial não é sair operando tudo de uma vez, mas sim controlar o cenário agudo e evitar piora infecciosa ou obstrutiva. Mesmo sem instabilidade hemodinâmica, a presença de perfuração, ainda que contida, muda a prioridade: primeiro você garante drenagem/derivação do trânsito intestinal para reduzir contaminação local e permitir tratamento oncológico depois. Como o tumor está a 6 cm da borda anal, trata-se de um câncer de reto baixo. Nessas situações, a abordagem definitiva costuma envolver radioquimioterapia neoadjuvante e cirurgia posterior, mas isso vale para o paciente estabilizado e sem complicação local urgente. Quando há perfuração bloqueada, a conduta inicial é paliativa/ponte: desvio fecal com colostomia, geralmente em alça, para descomprimir e controlar o quadro. Por isso, a alternativa B é a correta. Ela resolve primeiro o problema imediato e dá tempo para estadiamento e planejamento do tratamento definitivo. Em prova, pense assim: complicação aguda local do câncer de reto baixa o volume da “cirurgia heroica” e sobe a importância da derivação intestinal.