Paciente com depressão com ideação suicida manifestada como desejo ou esperança que a morte lhe ocorra, com frases tipo “espero dormir e não acordar”. Familiares negam doença psiquiátrica prévia ou abuso de drogas ilícitas ou álcool. O paciente está disposto a aderir a um plano de segurança que o ajude a lidar com sua ideação suicida. Seus pais e sua irmã se prontificaram a ajudar no que for necessário. Assinale a opção que indica o tipo de ideação suicida e o melhor cenário de tratamento, respectivamente.
- A)Ativa / hospitalizar o paciente.
Errada, porque o quadro descreve ideação passiva, não ativa, e a internação não é obrigatória quando há adesão ao plano de segurança e bom suporte familiar.
- B)Passiva / hospitalizar o paciente.
Errada, porque a primeira parte identifica de forma inadequada a ideação como ativa; além disso, o cenário de internação não é o melhor diante do baixo risco relativo descrito.
- C)Ativa / hospitalização parcial 6 a 8 horas por dia.
Errada, porque a ideação não é ativa e a hospitalização parcial não é a indicação mais adequada para um paciente com suporte familiar e possibilidade de seguimento ambulatorial.
- D)Passiva / tratamento ambulatorial.
Certa, porque a frase indica ideação passiva e o contexto clínico favorece tratamento ambulatorial com plano de segurança e apoio da família.
- E)Ativa / tratamento ambulatorial.
Errada, porque a ideação não é ativa e o tratamento ambulatorial até seria plausível, mas a classificação da ideação está incorreta.
Gabarito: D
A ideação suicida pode ser entendida de forma simples assim: quando a pessoa pensa em morrer de maneira mais indireta, como desejar "não acordar" ou "sumir", isso costuma ser chamado de ideação passiva. Já a ideação ativa envolve desejo mais direto de se matar, com pensamento de método, plano ou intenção. Aqui, a frase "espero dormir e não acordar" é o exemplo clássico de ideação passiva. Na avaliação do risco suicida, não basta olhar só para a frase dita. Você também pesa fatores de proteção e gravidade: presença de apoio familiar, ausência de uso de álcool ou drogas, ausência de doença psiquiátrica prévia referida e, principalmente, a disposição do paciente para aderir a um plano de segurança. Isso reduz o risco imediato e favorece acompanhamento mais próximo fora do hospital. Por isso, o melhor cenário de tratamento, no caso descrito, é ambulatorial. Em geral, internação fica reservada para risco alto, intenção clara, plano definido, meios disponíveis, tentativa recente, incapacidade de se comprometer com segurança ou falta de suporte. Quando o paciente aceita o plano de segurança e a família ajuda ativamente, o manejo ambulatorial é o mais apropriado. Então o gabarito D está correto porque a ideação é passiva e o contexto clínico permite tratamento ambulatorial com vigilância e rede de apoio. Em provas, a FGV gosta de misturar o tipo de ideação com o local de cuidado, então vale lembrar: frase de morte desejada sem plano costuma ser passiva, e suporte familiar pesa muito na decisão.