Um menino, de cinco anos de idade, filho de lavradores, é levado pelos pais a um serviço de emergência médica após ingerir um produto utilizado para controle de pragas, que se encontrava ao alcance da criança. Ao exame, o garoto encontrava-se com sinais de desidratação incipiente, com fortes dores abdominais e vômitos. Uma vez internado, a evolução do paciente se deu com icterícia, proteinúria e, por fim, óbito por insuficiência respiratória após três semanas. O tipo de agrotóxico, amplamente utilizado no Brasil, que deve ter ocasionado esse caso, é o
- A)Paraquat.
Correta: o paraquat causa intoxicação grave com lesão gastrointestinal, renal, hepática e fibrose pulmonar tardia, levando a insuficiência respiratória e morte em dias a semanas.
- B)Organoclorado.
Errada: organoclorados tendem a causar neurotoxicidade e convulsões, não esse padrão de falência respiratória tardia com lesão pulmonar progressiva.
- C)Organofosforado.
Errada: organofosforados provocam síndrome colinérgica aguda, com salivação, broncorreia, miose e bradicardia, geralmente de início rápido.
- D)Piretroide.
Errada: piretroides costumam causar irritação, parestesias e sintomas neurológicos leves, sem o curso multissistêmico típico descrito.
- E)Carbamato.
Errada: carbamatos também geram quadro colinérgico agudo parecido com o dos organofosforados, e não a evolução para fibrose pulmonar tardia.
Gabarito: A
A intoxicação por agrotóxicos pode dar pistas bem características quando você junta o tempo de evolução com os órgãos atingidos. No caso descrito, a criança ingeriu um produto largamente usado no campo, evoluiu com dor abdominal, vômitos, desidratação, depois icterícia e proteinúria, e morreu semanas depois por insuficiência respiratória. Esse roteiro é bem típico de um agente muito tóxico que causa lesão gastrointestinal, renal, hepática e pulmonar progressiva. O quadro clássico aqui é o do paraquat. Ele é um herbicida altamente tóxico, historicamente importante no Brasil, e pode ser absorvido após ingestão acidental. A intoxicação costuma começar com sintomas digestivos intensos e pode avançar para lesão de múltiplos órgãos, especialmente rim e fígado. O detalhe mais marcante é a lesão pulmonar tardia, com fibrose e insuficiência respiratória dias a semanas depois, que costuma ser a causa final do óbito. Em prova, o paraquat costuma aparecer como o veneno que "parece melhorar e depois piora", porque a fase inicial gastrointestinal engana e a complicação respiratória vem mais tarde. Há ainda o fato de que não existe antídoto específico com eficácia comprovada, então o manejo é de suporte e descontaminação precoce, quando possível. Na prática, a evolução para insuficiência respiratória em poucas semanas é uma pista muito forte. Então, o gabarito é a letra A porque o quadro clínico descrito bate com intoxicação por paraquat: ingestão acidental, sintomas digestivos, lesão renal/hepática e, por fim, falência respiratória por acometimento pulmonar tardio.