Em relação à deficiência e reposição de ferro em pacientes com insuficiência cardíaca (IC), assinale a afirmativa correta.
- A)A correção da deficiência de ferro na IC com fração de ejeção reduzida deve ser considerada mesmo na ausência de anemia concomitante.
Certa: na IC com fração de ejeção reduzida, a deficiência de ferro deve ser tratada mesmo sem anemia, pois isso pode melhorar sintomas e capacidade funcional.
- B)A reposição através de formulações venosas e orais comprovadamente apresenta o mesmo benefício clínico em pacientes com IC com fração de ejeção reduzida.
Errada: a via intravenosa tem melhor evidência de benefício na IC, e a via oral não mostra o mesmo resultado clínico.
- C)Além de resultar em melhora sintomática e da qualidade de vida na presença de deficiência de ferro, sua reposição também aumenta a sobrevida em pacientes com IC com fração de ejeção reduzida.
Errada: a reposição de ferro melhora sintomas e qualidade de vida, mas não há demonstração consistente de aumento de sobrevida.
- D)A deficiência de ferro na IC com fração de ejeção reduzida é definida por uma ferritina abaixo de 30 ng/mL ou entre 30 e 60 ng/mL associada a uma saturação de transferrina abaixo de 30%.
Errada: os critérios usuais na IC são ferritina < 100 ng/mL ou ferritina entre 100 e 299 ng/mL com saturação de transferrina < 20%.
- E)Os pacientes com IC com fração de ejeção reduzida e aqueles com fração de ejeção preservada apresentam as mesmas indicações de reposição de ferro.
Errada: as indicações de reposição não são iguais para fração de ejeção reduzida e preservada, pois a evidência é muito mais sólida na IC com fração de ejeção reduzida.
Gabarito: A
Na insuficiência cardíaca, deficiência de ferro não é detalhe de laboratório, é um achado que pode piorar cansaço, tolerância ao esforço e qualidade de vida. Por isso, nas diretrizes, especialmente em pacientes com fração de ejeção reduzida, a reposição de ferro deve ser considerada mesmo quando não existe anemia. Ou seja: hemoglobina normal não “salva” o paciente da deficiência funcional de ferro. O ponto central aqui é que o ferro participa da produção de energia muscular e do transporte de oxigênio. Quando ele falta, o paciente com IC costuma ficar mais dispneico e mais limitado, ainda que não esteja anêmico. Por isso, a correção do déficit, em geral com ferro intravenoso, tem benefício clínico melhor estudado do que a via oral nessa população. O gabarito A está correto porque a recomendação prática não depende da presença de anemia: em IC com fração de ejeção reduzida e deficiência de ferro documentada, a reposição deve ser considerada para melhorar sintomas, capacidade funcional e qualidade de vida. Isso é sustentado por diretrizes cardiológicas recentes, como as europeias e internacionais, que valorizam a busca ativa dessa deficiência. Um detalhe importante para não escorregar na prova: a reposição de ferro melhora desfechos clínicos intermediários, mas não há prova consistente de aumento de sobrevida. Então, quando a banca mistura “melhora clínica” com “reduz mortalidade”, ela costuma estar querendo testar se você leu além do entusiasmo do tratamento.