A administração de lipídeos na nutrição parenteral para o recémnascido é uma importante fonte de energia. Entretanto, alguns cuidados são importantes durante a administração de lipídeo. Em relação ao uso do lipídeo, assinale a afirmativa correta
- A)O uso da carnitina pode melhorar a ação da lipoproteína lipase facilitando o aproveitamento do lipídeo.
Errada, porque a carnitina participa do transporte de ácidos graxos para a mitocôndria, mas não tem como função principal melhorar a ação da lipoproteína lipase.
- B)A taxa de infusão de lipídeo maior que 0,25 g/Kg/hora pode estar associado à diminuição da oxigenação.
Certa, porque velocidades de infusão de lipídeos acima de 0,25 g/kg/hora podem reduzir a oxigenação e devem ser evitadas no recém-nascido.
- C)O uso da heparina pode melhorar a solubilidade do lipídeo com cálcio e fosforo, facilitando a administração destes elementos.
Errada, porque a heparina não é usada para melhorar a solubilidade de lipídeo com cálcio e fósforo; essa associação não faz sentido na prática clínica.
- D)A glutamina facilita o transporte de ácidos graxos de cadeia longa pela membrana do miocárdio e tem um papel importante na oxidação de ácidos graxos.
Errada, porque a glutamina não é a substância responsável por facilitar o transporte de ácidos graxos de cadeia longa nem por ser essencial na oxidação desses lipídeos.
- E)A concentração de triglicerídeos é usada como marcador da tolerância aos lipídeos e por isto proteger as soluções de lipídeo da luz é importante.
Errada, porque triglicerídeos séricos podem ajudar a avaliar tolerância aos lipídeos, mas proteger a emulsão da luz não é justificado por esse marcador.
Gabarito: B
Na nutrição parenteral do recém-nascido, os lipídeos são muito úteis porque fornecem energia e ácidos graxos essenciais, mas exigem vigilância. O ponto principal aqui é a velocidade de infusão: quando ela é alta demais, o organismo do bebê pode não dar conta de metabolizar tudo, e isso aumenta o risco de queda na oxigenação e de alterações metabólicas. Por isso, a administração de emulsões lipídicas deve ser feita de forma gradual e com monitorização clínica e laboratorial. Em neonatologia, costuma-se acompanhar a tolerância pelo quadro geral e, quando indicado, por triglicerídeos séricos, já que eles ajudam a mostrar se o lipídeo está sendo bem manejado pelo organismo. A alternativa correta é a B porque infusões de lipídeos acima de 0,25 g/kg/hora podem se associar à redução da oxigenação, especialmente em recém-nascidos mais vulneráveis. A ideia é simples: o recém-nascido, sobretudo o prematuro, tem limitação metabólica, então excesso de lipídeo pode atrapalhar a utilização adequada e piorar a oxigenação tecidual. As outras alternativas misturam conceitos de forma caprichosamente errada. Carnitina participa do transporte de ácidos graxos, heparina não melhora solubilidade de lipídeo com cálcio e fósforo, e glutamina não é o protagonista do transporte de ácidos graxos de cadeia longa. Em prova de neonatologia, desconfie sempre quando a afirmação troca funções entre nutrientes e aditivos sem base fisiológica.