Paciente do sexo feminino, 36 anos, procura atendimento com relato de um rash cutâneo na face que surgiu há 4 semanas e que piora com a exposição solar. Apresenta também fadiga, além de dor e edema nas articulações. Sem comorbidades. Nega consumo de bebida alcoólica, drogas ou tabagismo. Dos achados laboratoriais a seguir, assinale aquele que deverá estar alterado na condição apresentada por essa paciente.
- A)Diminuição dos níveis séricos de complementos C3 e C4.
Certa: no LES, há consumo de complemento por formação de imunocomplexos, levando a redução de C3 e C4.
- B)Anticorpos contra peptídeo citrulinado cíclico positivo.
Errada: anticorpo anti-CCP é marcador típico de artrite reumatoide, não de lúpus.
- C)HLA B27 positivo.
Errada: HLA-B27 se associa a espondiloartrites, como espondilite anquilosante e artrite reativa.
- D)Antitopoisomerase I.
Errada: antitopoisomerase I (Scl-70) é mais relacionado à esclerose sistêmica difusa.
- E)Hipergamaglobulinemia.
Errada: hipergamaglobulinemia pode ocorrer em doenças autoimunes, mas não é o achado mais característico e específico do quadro descrito.
Gabarito: A
O quadro descrito é bem típico de lúpus eritematoso sistêmico (LES): mulher jovem, rash em face que piora com sol, fadiga e artrite. No LES, o sistema imunológico “ataca” o próprio organismo e forma imunocomplexos, o que gera inflamação em pele, articulações, rins e outros órgãos. Por isso os sintomas costumam vir em combo, quase como um pacote nada promocional. Na investigação laboratorial, um achado clássico é a redução de complemento, especialmente C3 e C4, porque eles são consumidos durante a atividade da doença. Quanto mais inflamatório e ativo o LES, maior a chance de haver consumo de complemento e outros marcadores de atividade alterados. As outras alternativas apontam para doenças diferentes. Anti-CCP lembra artrite reumatoide, HLA-B27 sugere espondiloartrites, antitopoisomerase I é mais ligado à esclerose sistêmica, e hipergamaglobulinemia pode aparecer em várias condições autoimunes, mas não é o achado mais característico e cobrado aqui. Então, pela clínica e pela fisiopatologia, a resposta certa é a queda de C3 e C4.