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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Escolar com quadro de febre e prostração há 3 dias é levado a emergência pediátrica por aparecimento de rash exantemático difuso. Coletados Ns1 e IgM positivos para Dengue. Após 3 dias do quadro, retorna apresentando dor torácica. Ao exame, taquicárdico em repouso, sem demais alterações significativas. Coletada na emergência troponina T com resultado igual a 1000. Ecocadiograma com boa função biventricular. Assinale a opção que apresenta a principal hipótese e a conduta adequada.

Gabarito: C

A questão mistura dengue com dor torácica e troponina muito elevada, e o ponto-chave é lembrar que isso pode representar acometimento miocárdico viral, isto é, miocardite. Na prática, a miocardite pode surgir após viroses e cursar com dor torácica, taquicardia desproporcional, elevação de troponina e ecocardiograma ainda preservado no início. Ou seja: troponina alta chama atenção, mas eco normal não afasta o diagnóstico. Na dengue, há relatos de acometimento cardíaco, incluindo miocardite, com inflamação do miocárdio e liberação de marcadores de necrose. O diagnóstico costuma ser clínico-suspeito, apoiado por exames laboratoriais e imagem. A ressonância cardíaca é um exame útil em casos selecionados, mas não é obrigatória para condução inicial, e biópsia endomiocárdica fica reservada para situações muito específicas, quando o resultado realmente mudaria a conduta. A conduta principal, quando o paciente está hemodinamicamente estável e o ecocardiograma mostra boa função, é suporte clínico e repouso, com observação e controle de sintomas. Nada de sair disparando corticoide ou imunoglobulina sem o quadro típico de síndrome inflamatória multissistêmica, que aqui não é o cenário mais provável. Em concurso, pense assim: febre viral + dor torácica + troponina alta + eco preservado = miocardite viral até prova forte em contrário. Portanto, o gabarito é a alternativa C: miocardite viral, com suporte clínico e repouso. É a postura mais correta e mais segura para o caso descrito, já que não há sinais de choque, disfunção ventricular importante ou outro dado que justificasse terapias mais agressivas.

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