Escolar com quadro de febre e prostração há 3 dias é levado a emergência pediátrica por aparecimento de rash exantemático difuso. Coletados Ns1 e IgM positivos para Dengue. Após 3 dias do quadro, retorna apresentando dor torácica. Ao exame, taquicárdico em repouso, sem demais alterações significativas. Coletada na emergência troponina T com resultado igual a 1000. Ecocadiograma com boa função biventricular. Assinale a opção que apresenta a principal hipótese e a conduta adequada.
- A)Síndrome inflamatória multissistêmica / Inicio de imunoglobulina IV.
Incorreta, porque o quadro não sugere síndrome inflamatória multissistêmica, que exige contexto clínico-epidemiológico e geralmente acometimento sistêmico mais amplo.
- B)Síndrome inflamatória multissistêmica / Início de pulsoterapia com corticoide.
Incorreta, porque corticoide em pulsoterapia não é a conduta padrão para este quadro e não há elementos suficientes para MIS-C.
- C)Miocardite viral / Suporte clínico e repouso.
Correta, pois o quadro é compatível com miocardite viral associada à dengue, com boa função biventricular e tratamento conservador de suporte.
- D)Miocardite viral / Biopsia para confirmação diagnóstica.
Incorreta, porque biópsia endomiocárdica não é exame de rotina e não é necessária quando a hipótese clínica já orienta a conduta.
- E)Miocardite viral / Pulsoterapia com corticoide.
Incorreta, pois pulsoterapia com corticoide não é conduta de primeira linha para miocardite viral sem instabilidade hemodinâmica ou indicação específica.
Gabarito: C
A questão mistura dengue com dor torácica e troponina muito elevada, e o ponto-chave é lembrar que isso pode representar acometimento miocárdico viral, isto é, miocardite. Na prática, a miocardite pode surgir após viroses e cursar com dor torácica, taquicardia desproporcional, elevação de troponina e ecocardiograma ainda preservado no início. Ou seja: troponina alta chama atenção, mas eco normal não afasta o diagnóstico. Na dengue, há relatos de acometimento cardíaco, incluindo miocardite, com inflamação do miocárdio e liberação de marcadores de necrose. O diagnóstico costuma ser clínico-suspeito, apoiado por exames laboratoriais e imagem. A ressonância cardíaca é um exame útil em casos selecionados, mas não é obrigatória para condução inicial, e biópsia endomiocárdica fica reservada para situações muito específicas, quando o resultado realmente mudaria a conduta. A conduta principal, quando o paciente está hemodinamicamente estável e o ecocardiograma mostra boa função, é suporte clínico e repouso, com observação e controle de sintomas. Nada de sair disparando corticoide ou imunoglobulina sem o quadro típico de síndrome inflamatória multissistêmica, que aqui não é o cenário mais provável. Em concurso, pense assim: febre viral + dor torácica + troponina alta + eco preservado = miocardite viral até prova forte em contrário. Portanto, o gabarito é a alternativa C: miocardite viral, com suporte clínico e repouso. É a postura mais correta e mais segura para o caso descrito, já que não há sinais de choque, disfunção ventricular importante ou outro dado que justificasse terapias mais agressivas.