Em relação ao uso da eletroconvulsoterapia para tratamento de distúrbios psiquiátricos em pacientes com cardiopatia subjacente, analise as afirmativas a seguir. I. Apesar de ser um procedimento seguro, o risco de complicações cardiovasculares (ex: bradicardia e hipertensão persistente) é maior em pacientes com cardiopatias subjacentes, como doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca. II. Não é necessário qualquer tipo de ajuste ou avaliação de marca-passo ou cárdio-desfibrilador, implantáveis antes ou após o procedimento, uma vez que a energia aplicada não interfere com tais dispositivos. III. Embora não existam contraindicações cardiovasculares absolutas, o procedimento deve ser adiado em pacientes com arritmias ou hipertensão não controladas. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A opção traz apenas a afirmativa I, que diz que a eletroconvulsoterapia é, em geral, segura, mas com maior risco cardiovascular em pacientes com cardiopatias prévias, como doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca. Isso está correto, porque o procedimento pode desencadear bradicardia na fase inicial e, depois, descarga simpática com hipertensão e taquicardia, o que aumenta a chance de eventos em cardiopatas. O problema da alternativa é que ela ignora a afirmativa III, que também é verdadeira.
- B)I e II, apenas.
A opção reúne a afirmativa I e a II. A I descreve corretamente o maior cuidado hemodinâmico em pacientes com doença cardíaca subjacente, mas a II erra ao dizer que marcapasso e cardiodesfibrilador implantáveis não exigem avaliação ou ajuste antes e depois da ECT. Na prática, esses dispositivos devem ser checados e, quando necessário, reprogramados ou monitorados, porque a descarga elétrica pode interferir em seu funcionamento.
- C)II e III, apenas.
A opção junta a afirmativa II com a III. A III está bem formulada ao dizer que não há contraindicação cardiovascular absoluta, mas que arritmias e hipertensão não controladas justificam adiar o procedimento até estabilização clínica. O defeito está na II, que nega a necessidade de avaliação de marcapasso e CDI, embora esses dispositivos exijam conduta específica antes e após a eletroconvulsoterapia.
- D)I e III, apenas.
Esta é a combinação correta, porque a I e a III são verdadeiras. A I acerta ao reconhecer que, embora a ECT seja um procedimento seguro, há risco cardiovascular maior em cardiopatas por conta das alterações autonômicas e hemodinâmicas do choque; a III também está correta ao orientar adiamento quando há arritmias ou hipertensão descompensadas. Assim, o conjunto verdadeiro é exatamente I e III.
- E)I, II e III.
A opção afirma que as três assertivas estariam corretas, mas isso não procede por causa da II. Marcapasso e cardiodesfibrilador implantáveis não podem ser simplesmente ignorados, pois exigem avaliação prévia e acompanhamento após a ECT para reduzir o risco de interferência e eventos arrítmicos. Como I e III são verdadeiras, mas a II é falsa, a soma total da alternativa fica incorreta.
Gabarito: D
A eletroconvulsoterapia (ECT) é um procedimento considerado seguro e muito usado em psiquiatria, inclusive em pacientes com cardiopatia, mas isso não significa que ela seja "livre de sustos" para o coração. Durante a ECT, há uma resposta autonômica bem marcada: primeiro pode ocorrer uma fase de bradicardia e, depois, uma descarga simpática com taquicardia, hipertensão e aumento da demanda miocárdica de oxigênio. Por isso, quem tem doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca ou outra cardiopatia estrutural pode ter maior risco de complicações cardiovasculares. A afirmativa I está correta. A afirmativa II está errada porque marca-passo e cardiodesfibrilador implantáveis exigem avaliação antes e, em muitos casos, acompanhamento após o procedimento. A energia da ECT não é o mesmo que um choque de cardioversão, mas o procedimento pode interferir no funcionamento desses dispositivos, além de exigir planejamento da equipe para evitar mau funcionamento ou necessidade de reprogramação. Em outras palavras: dispositivo implantável não é detalhe decorativo, é parte do checklist. Já a afirmativa III está correta. Em geral, não existem contraindicações cardiovasculares absolutas para a ECT, mas condições como arritmias não controladas e hipertensão importante descompensada aumentam o risco e devem levar ao adiamento até estabilização clínica. O raciocínio aqui é de segurança perioperatória: primeiro controla o problema, depois faz o procedimento. Assim, o gabarito é a letra D, porque apenas as afirmativas I e III estão corretas. Essa abordagem é coerente com a prática clínica e com recomendações de avaliação pré-procedimento em pacientes cardiopatas, que sempre pedem bom senso, monitorização e preparo da equipe.