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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Em relação ao uso da eletroconvulsoterapia para tratamento de distúrbios psiquiátricos em pacientes com cardiopatia subjacente, analise as afirmativas a seguir. I. Apesar de ser um procedimento seguro, o risco de complicações cardiovasculares (ex: bradicardia e hipertensão persistente) é maior em pacientes com cardiopatias subjacentes, como doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca. II. Não é necessário qualquer tipo de ajuste ou avaliação de marca-passo ou cárdio-desfibrilador, implantáveis antes ou após o procedimento, uma vez que a energia aplicada não interfere com tais dispositivos. III. Embora não existam contraindicações cardiovasculares absolutas, o procedimento deve ser adiado em pacientes com arritmias ou hipertensão não controladas. Está correto o que se afirma em

Gabarito: D

A eletroconvulsoterapia (ECT) é um procedimento considerado seguro e muito usado em psiquiatria, inclusive em pacientes com cardiopatia, mas isso não significa que ela seja "livre de sustos" para o coração. Durante a ECT, há uma resposta autonômica bem marcada: primeiro pode ocorrer uma fase de bradicardia e, depois, uma descarga simpática com taquicardia, hipertensão e aumento da demanda miocárdica de oxigênio. Por isso, quem tem doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca ou outra cardiopatia estrutural pode ter maior risco de complicações cardiovasculares. A afirmativa I está correta. A afirmativa II está errada porque marca-passo e cardiodesfibrilador implantáveis exigem avaliação antes e, em muitos casos, acompanhamento após o procedimento. A energia da ECT não é o mesmo que um choque de cardioversão, mas o procedimento pode interferir no funcionamento desses dispositivos, além de exigir planejamento da equipe para evitar mau funcionamento ou necessidade de reprogramação. Em outras palavras: dispositivo implantável não é detalhe decorativo, é parte do checklist. Já a afirmativa III está correta. Em geral, não existem contraindicações cardiovasculares absolutas para a ECT, mas condições como arritmias não controladas e hipertensão importante descompensada aumentam o risco e devem levar ao adiamento até estabilização clínica. O raciocínio aqui é de segurança perioperatória: primeiro controla o problema, depois faz o procedimento. Assim, o gabarito é a letra D, porque apenas as afirmativas I e III estão corretas. Essa abordagem é coerente com a prática clínica e com recomendações de avaliação pré-procedimento em pacientes cardiopatas, que sempre pedem bom senso, monitorização e preparo da equipe.

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