Gestante de 36 semanas chega para atendimento em uma emergência obstétrica com sangramento vaginal de grande monta e forte dor abdominal. Ao exame é encontrada hipertonia uterina e são identificados os batimentos cardíacos fetais com desacelerações e colo fechado ao toque. Diante desse quadro, é correto afirmar que
- A)deverá ser realizada amniotomia.
Errada, porque amniotomia não resolve um quadro agudo de sofrimento fetal e ainda depende de condições obstétricas favoráveis.
- B)deverá iniciar indução do parto.
Errada, porque indução do parto é lenta e inadequada diante de sangramento importante, hipertonia uterina e desacelerações fetais.
- C)está indicada cesariana de urgência.
Certa, pois há suspeita de descolamento prematuro de placenta com sofrimento fetal e colo fechado, exigindo resolução imediata por cesariana.
- D)deverá permanecer em observação clínica.
Errada, porque observação clínica sem interrupção da gestação seria perigosa diante de sinais maternos e fetais de gravidade.
- E)deverá ser submetida a curetagem uterina.
Errada, porque curetagem uterina não é a conduta para gestante com feto vivo e quadro compatível com DPP.
Gabarito: C
O quadro descrito é clássico de descolamento prematuro de placenta (DPP): sangramento vaginal, dor abdominal intensa, hipertonia uterina e sofrimento fetal. Nessa situação, o útero fica "duro", a mãe pode sangrar bastante, e o bebê costuma mostrar desacelerações na cardiotocografia por hipóxia. Não é um cenário de esperar para ver; é obstetrícia em modo urgente. Quando há sofrimento fetal e o colo está fechado, a via vaginal geralmente não é a mais rápida nem a mais segura. A prioridade é estabilizar a gestante e resolver o parto com a via que permita nascimento mais rápido do concepto. Por isso, a conduta indicada é cesariana de urgência. Se o quadro fosse de óbito fetal e mãe estável, a lógica poderia mudar, mas aqui há feto vivo com sinais de comprometimento. Em provas, lembre-se: DPP grave com feto vivo e sofrimento fetal aponta para interrupção imediata da gestação. Amniotomia e indução são ideias que parecem "obstétricas", mas exigem condições favoráveis e tempo, o que não combina com um quadro agudo e grave. A conduta é emergencial, não contemplativa. Isso é coerente com a prática obstétrica e com os protocolos assistenciais do DPP.