Sobre vulvovaginites na infância, avalie as afirmativas a seguir. I. A vagina não estrogenizada e os pequenos lábios pouco desenvolvidos estão entre os fatores que aumentam a suscetibilidade nessa faixa etária. II. Entre os microrganismos causadores mais comuns estão a cândida e clamídia. III. Uma etapa importante do tratamento é a higiene adequada da região vulvar, principalmente após micção e defecação. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que somente a afirmativa I está correta. De fato, a criança pré-púbere tem vagina pouco estrogenizada e pequenos lábios menos desenvolvidos, o que reduz a proteção local e favorece irritação e infecção; porém a afirmativa III também está correta, porque a higiene vulvar adequada após micção e defecação faz parte do manejo básico. Por isso, não é possível restringir o acerto apenas à I.
- B)I e II, apenas.
Aqui se afirma que as afirmativas I e II estariam corretas. A I procede, mas a II erra ao apontar candidíase e clamídia como agentes comuns na infância: a candidíase é incomum antes da puberdade, salvo situações predisponentes, e a clamídia é infecção sexualmente transmissível, devendo levantar suspeita de abuso. Além disso, a III também é verdadeira, o que afasta essa combinação.
- C)I e III, apenas.
Esta alternativa indica que as afirmativas I e III são as corretas. Isso corresponde ao quadro clínico da vulvovaginite pré-púbere: a hipoestrogenização vaginal e o menor desenvolvimento dos pequenos lábios aumentam a suscetibilidade, e a higiene local após urinar e evacuar é medida terapêutica importante. A II fica fora porque candidíase e clamídia não estão entre as causas mais comuns nesse grupo etário.
- D)II e III, apenas.
A alternativa propõe que as afirmativas II e III estariam corretas. Embora a III esteja certa, a II está errada porque candidíase não é etiologia habitual da vulvovaginite infantil e clamídia não é agente comum nessa faixa etária, sendo associação ligada a IST e possível violência sexual. Assim, a combinação apresentada não se sustenta.
- E)I, II e III.
Aqui se afirma que as três afirmativas estariam corretas. A I e a III realmente descrevem fatores anatômicos e medidas de cuidado pertinentes à infância, mas a II falha ao incluir candidíase e clamídia como causas frequentes, o que contraria a epidemiologia pediátrica. Como uma das premissas é falsa, a alternativa não pode ser aceita.
Gabarito: C
Vulvovaginite na infância é um tema clássico porque a menina pequena não tem a mesma proteção hormonal da mulher adulta. A vagina ainda é pouco estrogenizada, o pH costuma ser menos ácido e os pequenos lábios são menos desenvolvidos, o que facilita irritação e entrada de microrganismos. Por isso, a afirmativa I está correta. Outro ponto importante: na infância, as vulvovaginites costumam ser mais ligadas a higiene inadequada, irritantes locais e flora entérica ou respiratória, não sendo, em regra, quadro típico de candidíase ou IST. A candidíase é bem mais comum em situações específicas, como uso de antibiótico, diabetes ou imunossupressão. Já clamídia não entra como causa comum de vulvovaginite infantil e ainda exige atenção para possível abuso sexual, dependendo do contexto. Então a afirmativa II está errada. O tratamento geralmente começa pelo básico bem feito, e às vezes o básico é o que resolve: orientar higiene vulvar adequada, evitar sabonetes agressivos, roupas muito apertadas e manter a região limpa, principalmente após micção e evacuação. Isso explica por que a afirmativa III está correta. Assim, o gabarito é C, porque apenas as afirmativas I e III estão certas. Em prova, desconfie quando a banca tenta “adultizar” a etiologia da criança, trazendo agentes que são mais lembrados em outras faixas etárias.