Uma gestante com 32 semanas informa que tem rim único e diagnóstico de nefrolitíase. Foi tentado tratamento conservador sem sucesso, mantendo a paciente intensa dor. Nesse caso, a melhor conduta é
- A)realizar cesariana de urgência.
Errada, porque cesariana de urgência não resolve a obstrução urinária nem a dor causada pela nefrolitíase.
- B)usar anti-inflamatórios não esteroides.
Errada, pois os anti-inflamatórios não esteroides devem ser evitados no fim da gestação e não são a melhor saída após falha do tratamento conservador.
- C)fazer hemodiálise.
Errada, porque hemodiálise não é indicada para tratar uma nefrolitíase sintomática com obstrução.
- D)colocar cateter duplo “J”.
Certa, pois o cateter duplo J descomprime o trato urinário e é a conduta indicada quando o tratamento conservador falha na gestante.
- E)realizar transplante renal.
Errada, porque transplante renal é absolutamente incompatível com o quadro agudo descrito.
Gabarito: D
Na gestação, a nefrolitíase costuma ser tratada primeiro de forma conservadora, com hidratação, analgesia e observação, porque muitos cálculos podem ser eliminados espontaneamente. O problema aqui é que isso já foi tentado e a paciente segue com dor intensa, além de ter rim único, o que aumenta o risco de obstrução e perda de função renal. Nessa situação, não dá para ficar só olhando a pedra fazer carreira de fórmula 1 no ureter. Quando há falha do tratamento clínico, dor refratária, obstrução persistente ou ameaça à função renal na gestante, a conduta descompressiva é indicada. A colocação de cateter duplo J é uma medida clássica e segura para aliviar a obstrução urinária, especialmente útil na gravidez, evitando a piora materna e fetal. Se necessário, também pode-se considerar nefrostomia percutânea, mas entre as alternativas dadas o duplo J é a melhor resposta. As demais opções não fazem sentido no cenário: cesariana não trata a cólica renal, anti-inflamatórios não esteroides são evitados na gestação avançada, hemodiálise não é a conduta para uma nefrolitíase obstrutiva isolada e transplante renal é completamente fora de contexto. Em prova, guarde a lógica: dor persistente e obstrução na gestante pedem desobstrução urinária, não solução obstétrica ou renal radical.