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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

A embolia aérea é um diagnóstico difícil que deve ser pensado, em pacientes com trauma penetrante de tórax, nas situações a seguir. I. Em pacientes previamente lúcidos, que desenvolvem quadro neurológico súbito. II. Nas lesões penetrantes com comprometimento hilar. III. Em pacientes com colapso circulatório grave, de instalação súbita, sem perda volêmica significativa. Está correto o que se afirma em

Gabarito: A

A embolia aérea no trauma penetrante de tórax é uma complicação rara, mas muito grave, e o ponto principal é pensar nela quando o quadro não combina com sangramento importante. O mecanismo clássico é a entrada de ar para a circulação, geralmente por lesão de vasos pulmonares ou hilares, com passagem de ar para o sistema venoso e, às vezes, para a circulação arterial. Na prática, ela pode se manifestar de forma abrupta e “enganar” quem está esperando apenas choque hemorrágico. Em pacientes que estavam lúcidos e passam a apresentar déficit neurológico súbito, você deve lembrar de embolia aérea arterial, porque o ar pode ir para o cérebro e causar sintomas neurológicos agudos. Isso é bem típico e faz parte do raciocínio clínico no trauma penetrante, especialmente se o início for abrupto e sem outra explicação óbvia. Lesões penetrantes com comprometimento hilar também levantam essa suspeita, porque a região do hilo concentra vasos de grande calibre e estruturas pelas quais o ar pode entrar na circulação. Já o colapso circulatório grave, de instalação súbita, sem perda volêmica significativa, também é um alerta importante: se a queda hemodinâmica é desproporcional ao sangramento, pense em embolia aérea antes de atribuir tudo a hemorragia. Por isso, o gabarito é a alternativa A. As três situações descritas são clássicas para suspeitar de embolia aérea no trauma de tórax, um diagnóstico que a banca gosta de cobrar como “não esqueça disso quando o cenário não fecha com hemorragia”.

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