Sobre a síndrome de reconstituição imune (SRI) no paciente com síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), é correto afirmar que:
- A)geralmente acontece na primeira semana após alteração do tratamento antirretroviral;
Errada: a SRI não costuma acontecer na primeira semana, e sim após algumas semanas ou meses da introdução/otimização da terapia antirretroviral.
- B)pacientes com baixa queda da carga viral com o tratamento estão sob maior risco de ocorrência da SRI;
Errada: menor queda da carga viral não é o principal fator de risco; o risco está mais ligado à imunossupressão prévia e à recuperação imune exuberante.
- C)a SRI se caracteriza apenas pela exacerbação das manifestações infecciosas oportunistas relacionadas à SIDA;
Errada: a SRI não se limita à piora de infecções oportunistas, pois também pode desmascarar infecções ocultas e outras manifestações inflamatórias.
- D)pacientes com menor CD4 no momento de ajuste do tratamento estão sob maior risco de ocorrência da SRI;
Certa: CD4 muito baixo no momento do ajuste do tratamento indica imunossupressão avançada e aumenta o risco de SRI.
- E)pacientes com falha terapêutica em relação à terapia antirretroviral estão sob maior risco de desenvolvimento da SRI.
Errada: falha terapêutica por si só não define maior risco de SRI; o ponto central é a recuperação imune após iniciar ou otimizar a TARV, especialmente em pacientes com CD4 baixo.
Gabarito: D
A síndrome de reconstituição imune (SRI), também chamada de IRIS, aparece quando o paciente com HIV/SIDA começa a recuperar a imunidade após iniciar ou otimizar a terapia antirretroviral. O sistema imune “acorda” e passa a reagir de forma intensa contra agentes infecciosos já existentes no organismo, geralmente infecções oportunistas que estavam silenciosas ou mal controladas. Ela não surge, em regra, na primeira semana. O quadro costuma aparecer nas primeiras semanas a meses após o início ou a mudança do tratamento, quando há melhora imunológica mais rápida. Por isso, o timing da resposta do corpo importa mais do que uma reação imediata e precoce. O principal fator de risco é ter imunossupressão mais avançada antes do ajuste terapêutico, especialmente CD4 muito baixo. Quanto menor o CD4 no momento em que a terapia é iniciada ou ajustada, maior a chance de o organismo reagir de forma desproporcional durante a recuperação imune. É exatamente essa lógica que torna o gabarito D correto. A SRI pode ser inflamatória e “enganar” o olho desatento: não é só piora de infecção oportunista conhecida, mas também pode desmascarar doenças previamente subclínicas e até doenças não infecciosas. Em resumo, o problema não é falta de tratamento, e sim recuperação imune em terreno muito debilitado.