Gestante inicia acompanhamento pré-natal no começo do segundo trimestre e traz ao obstetra uma dosagem de glicemia de jejum de 99mg/dL. É solicitado repetir o exame e o resultado foi 96mg/dL. Diante desse achado, o procedimento correto é
- A)aguardar a realização do teste de tolerância oral a glicose entre 24 e 28 semanas.
Errada, porque com glicemia de jejum já na faixa diagnóstica para diabetes gestacional, não se deve aguardar o TOTG de 24 a 28 semanas.
- B)iniciar imediatamente insulina e ir ajustando a dose conforme dosagens de glicose capilar.
Errada, pois insulina não é a conduta inicial de rotina; ela fica para falha do controle com medidas dietéticas e exercício ou em situações específicas.
- C)dar seguimento normal à gestação, pois o diagnóstico de diabetes gestacional foi afastado.
Errada, porque o diagnóstico de diabetes gestacional não foi afastado; ao contrário, o jejum de 96 mg/dL mantém a suspeita/diagnóstico.
- D)iniciar terapia nutricional com monitoramento da glicemia e estimular prática de exercícios.
Certa, porque o manejo inicial do diabetes gestacional inclui terapia nutricional, controle glicêmico e estímulo à atividade física.
- E)iniciar uso de metformina e repetir dosagem da glicemia de jejum após três meses.
Errada, porque metformina não é a primeira escolha nesse cenário e repetir jejum depois de três meses não é a conduta adequada na gestação.
Gabarito: D
Na gestação, a glicemia de jejum ganha um peso especial. Se no pré-natal inicial, especialmente no começo do segundo trimestre, a gestante apresenta glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL, isso já é critério para diabetes mellitus gestacional, mesmo que a repetição venha um pouco menor, como 96 mg/dL. Ou seja: não é caso de “esperar pra ver”, porque o achado já acende a luz amarela do metabolismo da glicose. O raciocínio prático é simples: primeiro você confirma que não se trata de diabetes franco da gestação e, se a jejum está nessa faixa, o manejo inicial é não farmacológico. A conduta começa com terapia nutricional, orientação dietética, atividade física se não houver contraindicação e monitoramento glicêmico. Isso é o básico bem feito, antes de pensar em insulina ou antidiabéticos orais. O gabarito é a letra D porque a paciente tem um valor de jejum compatível com diabetes gestacional e, nesse momento, a primeira medida correta é tratamento com dieta e exercício, além do acompanhamento glicêmico. Insulina entra se não houver controle com essas medidas, e o teste de tolerância oral à glicose não deve ser usado para “desfazer” um diagnóstico que a glicemia de jejum já sugeriu. Em prova, lembre da regra: jejum a partir de 92 mg/dL na gestação já muda o jogo. A banca gosta muito de testar essa faixa intermediária, justamente para ver se você não cai na armadilha de achar que só valores muito altos importam.