Paciente masculino, 69 anos, é levado para emergência devido a quadro de dor abdominal dilacerante, com irradiação para região sacra seguida por episódio de síncope. A dor é intensa, sem queixas gastrointestinais ou urinárias. História prévia de tratamento de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia. Tabagista, 40 maços/ano. Ao exame: lúcido, orientado no tempo e no espaço, afebril, pálido, sudoreico, anictérico. PA: 90 x 50mmHg; FC: 105 BPM; FR: 17 IRPM. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Exame abdominal doloroso, sem sinais de irritação peritoneal. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável para esse quadro clínico.
- A)Apendicite.
Apendicite costuma dar dor que migra para fossa ilíaca direita, com sinais inflamatórios e, muitas vezes, febre, o que não combina com esse choque súbito.
- B)Diverticulite aguda.
Diverticulite aguda geralmente causa dor em fossa ilíaca esquerda, febre e alteração do hábito intestinal, quadro bem diferente da dor dilacerante com síncope.
- C)Isquemia mesentérica aguda.
Isquemia mesentérica aguda pode dar dor intensa e desproporcional ao exame, mas o enunciado favorece mais um evento hemorrágico vascular com hipotensão e irradiação para região sacra.
- D)Aneurisma de aorta abdominal roto.
Aneurisma de aorta abdominal roto explica dor súbita e intensa, irradiação para dorso/sacro, síncope, hipotensão e o perfil de risco vascular do paciente.
- E)Pielonefrite aguda.
Pielonefrite aguda costuma cursar com febre, disúria e dor lombar, sem esse quadro de choque e dor abdominal dilacerante.
Gabarito: D
Em dor abdominal, uma dica de ouro é olhar o conjunto: início súbito, intensidade muito forte, sinais de choque e fatores de risco vasculares. Quando o paciente é idoso, hipertenso, diabético, tabagista e chega pálido, sudoreico, hipotenso e com dor abdominal dilacerante irradiando para as costas ou região sacra, você deve pensar primeiro em aneurisma de aorta abdominal com ruptura. Aqui, a síncope e a hipotensão reforçam a ideia de sangramento interno importante, e o abdome pode até não ter sinais de irritação peritoneal no começo. O aneurisma de aorta abdominal costuma ser silencioso até complicar. Quando rompe, o quadro é clássico: dor súbita abdominal, lombar ou sacra, instabilidade hemodinâmica e, às vezes, massa abdominal pulsátil. Nem sempre você vai encontrar sinais dramáticos de peritonite, porque o problema é vascular e hemorrágico, não infeccioso ou inflamatório intestinal. A fisiopatologia combina bem com o perfil do paciente: idade avançada, tabagismo, hipertensão, diabetes e dislipidemia são fatores que favorecem doença aterosclerótica e fragilidade da parede arterial. Em emergência, essa suspeita é uma corrida contra o tempo, porque a ruptura tem alta mortalidade e exige abordagem imediata com imagem rápida e cirurgia/medicina vascular, conforme estabilidade clínica. Então, o gabarito D está correto porque o quadro encaixa como uma luva em aneurisma de aorta abdominal roto: dor abrupta e intensa, irradiação para dorso/sacro, síncope, hipotensão e perfil vascular de alto risco. As outras alternativas até podem dar dor abdominal, mas nenhuma explica tão bem o colapso hemodinâmico com dor dilacerante em um idoso tabagista.