Homem, 64 anos, sem hipertensão arterial, cardiopatia ou diabetes, será submetido a prostatectomia radical por robótica. Na avaliação pré-anestésica é fundamental conhecer o histórico de cirurgias prévias, patologias existentes, medicações em uso, avaliação das vias aéreas, entre outros exames e informações importantes. Considerando patologias existentes e mencionadas na avaliação pré-anestésica, as oftálmicas, em geral, não são devidamente valorizadas. Assinale a opção que indica a alteração oftalmológica que faz com que o paciente possa ter prescrição de medicações que poderão interferir no transcurso da anestesia.
- A)ceratocone.
Ceratocone pode exigir correção visual ou cirurgia, mas não costuma implicar uso de medicamentos que interfiram na anestesia.
- B)catarata.
Catarata é muito comum, porém não leva, em geral, a medicações com efeito anestésico relevante.
- C)estrabismo convergente.
Estrabismo convergente não tem relação típica com fármacos usados cronicamente que alterem o curso da anestesia.
- D)glaucoma.
Glaucoma é a correta porque frequentemente é tratado com colírios antiglaucomatosos, especialmente beta-bloqueadores, que podem causar efeitos sistêmicos e interferir na anestesia.
- E)miopia de alto grau.
Miopia de alto grau é uma alteração refracional importante, mas não costuma determinar uso de medicações que impactem a anestesia.
Gabarito: D
Na avaliação pré-anestésica, nem só coração e pulmão merecem atenção: os colírios também podem aprontar. Algumas doenças oftalmológicas levam ao uso de medicações de uso contínuo que, mesmo parecendo inofensivas, podem mudar o comportamento hemodinâmico ou respiratório durante a anestesia. O exemplo clássico é o glaucoma. Muitos pacientes usam colírios antiglaucomatosos, como beta-bloqueadores tópicos, que podem ser absorvidos sistemicamente e causar bradicardia, hipotensão e até broncoespasmo. Ou seja, o olho parece estar distante da sala cirúrgica, mas o colírio pode aparecer no monitor da anestesia sem pedir licença. Por isso, entre as alterações oftalmológicas listadas, o glaucoma é a que mais importa para essa pergunta: ele frequentemente exige medicação que interfere no transcurso anestésico. Em avaliação pré-anestésica, conhecer esse uso ajuda a antecipar interações e ajustar a conduta com mais segurança. As demais opções não costumam levar, de forma típica, ao uso de fármacos com impacto anestésico relevante. Em prova, quando aparece doença ocular e a pista fala de medicamento que interfere na anestesia, pense logo em glaucoma e nos colírios antiglaucomatosos.