Mulher jovem, sexualmente ativa, procura um serviço de pronto atendimento por dor pélvica de início recente. Após avaliação, o diagnóstico de doença inflamatória pélvica (DIP) é estabelecido. Em relação ao tema, complete adequadamente a lacuna no texto a seguir: De acordo com Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis/2022 – a maioria dos casos de DIP é causada por agentes patogênicos sexualmente transmitidos. Classicamente reconhecidas como as principais etiologias de DIP _____ têm mostrado incidência decrescente, sendo encontradas, em alguns estudos, em 1/3 dos casos. Assinale a opção que completa corretamente a lacuna do fragmento.
- A)Neisseria gonorrhoeae e Bacteroides spp.
Errada, porque Neisseria gonorrhoeae é agente clássico de DIP, mas Bacteroides spp. não ocupa o papel de etiologia clássica principal no trecho cobrado.
- B)Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.
Certa, porque Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae são as etiologias clássicas de DIP mais lembradas em provas e no PCDT citado.
- C)Chlamydia trachomatis e Treponema pallidum.
Errada, porque Chlamydia trachomatis até faz parte do quadro, mas Treponema pallidum não é etiologia típica de DIP.
- D)Trichomonas vaginalis e Treponema pallidum.
Errada, porque Trichomonas vaginalis e Treponema pallidum não são o par clássico relacionado à DIP no contexto cobrado.
- E)Mycoplasma hominis e Ureaplasma urealyticum.
Errada, porque Mycoplasma hominis e Ureaplasma urealyticum podem participar de quadros polimicrobianos, mas não são as etiologias clássicas principais pedidas na questão.
Gabarito: B
A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção ascendente do trato genital feminino, geralmente relacionada à transmissão sexual. Ela pode envolver endométrio, trompas e, em casos mais graves, o peritônio pélvico, causando dor pélvica, corrimento, febre e dor à mobilização do colo. Se você pensa em DIP, já ligue o alerta: diagnóstico e tratamento precoces evitam infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. A questão cobra um ponto clássico das provas e também dos protocolos: os agentes historicamente mais associados à DIP são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Com o passar do tempo, graças a diagnóstico mais rápido, tratamento de ISTs e rastreio, essas etiologias vêm apresentando incidência decrescente, embora ainda apareçam com frequência relevante em parte dos casos. Por isso, a alternativa correta é a letra B. O próprio PCDT para Atenção Integral às Pessoas com ISTs (2022) reforça que a maioria dos casos de DIP é causada por patógenos sexualmente transmitidos, e que as etiologias clássicas, apesar de continuarem importantes, têm sido encontradas em cerca de um terço dos casos em alguns estudos. Em prova, quando a banca fala em “etiologias clássicas” de DIP, pense primeiro em clamídia e gonococo, quase como dupla dinâmica da infectologia ginecológica. Na prática, isso também ajuda a lembrar que o tratamento costuma precisar cobrir esses agentes e outros possíveis germes associados à flora genital e anaeróbios, porque a DIP é frequentemente polimicrobiana. Mas, para a lacuna do enunciado, o par clássico e correto é mesmo Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.